São Paulo - O ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf foi examinado ontem, na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) paulista, por seu médico particular, o gastroenterologista Sérgio Nahas, do hospital Sírio Libanês. Segundo a assessoria de Maluf, o ex-prefeito novamente estaria sentido dores no estômago.
Anteontem, o advogado do filho de Maluf, José Roberto Batocchio, afirmou que os problemas de saúde do ex-prefeito estariam se agravando nos últimos dias. Batocchio disse que as dores gástricas estavam mais fortes e que Maluf estaria com dificuldades para articular palavras. Ainda conforme a assessoria de Maluf, o advogado da área cível Ricardo Tosto é quem teria levado o médico à PF hoje para avaliar o quadro clínico do ex-prefeito que tem 74 anos de idade.
Na última segunda-feira, a juíza federal Raecler Baldresca, da Corregedoria da Custódia da Polícia Federal, aceitou o pedido dos advogados de defesa dos Maluf para que, quando necessário, o ex-prefeito fosse examinado por seu médico particular.
Maluf e seu filho Flávio estão presos desde o dia 10 de setembro na sede da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, sob acusação de tentar intimidar Birigüi no processo que apura desvio de verba pública e remessa ilegal para o Exterior. Quando decretou a prisão preventiva de Flávio e Maluf, a juíza da 2.ª Vara Criminal paulista, Silvia Maria Rocha aceitou o argumento do Ministério Público de que, em liberdade, pai e filho poderiam atrapalhar o andamento do processo - que corre em segredo de Justiça - ocultando provas e coagindo testemunhas.
Flávio
Advogados de Flávio Maluf entraram ontem com um pedido de habeas corpus em caráter liminar (emergencial) no Supremo Tribunal Federal (STF). Pedido similar não foi feito para Paulo Maluf.
O pedido de liberdade para Flávio foi dirigido ao presidente do STF, ministro Nelson Jobim, que informou que irá analisar se o ministro Carlos Velloso, que já julgou habeas corpus relacionados ao ex-prefeito e a Flávio, tem prevenção no caso. A prevenção existe quando um juiz já conheceu um processo e, por isso, tem competência para seguir na ação.
Velloso se declarou prevento no atual processo no dia 22 de setembro, quando assumiu a relatoria do primeiro pedido de habeas corpus em favor de Maluf e de Flávio - este primeiro pedido não foi formulado por advogados de Maluf, mas por um fã do ex-prefeito. Ontem, advogados de Flávio alegaram que não existe mais o risco aventado pela Justiça de possível interferência no depoimento de testemunhas de acusação. As principais testemunhas do Ministério Público, afirmaram, já foram ouvidas em juízo.