Gostaria de convidar todos a refletirem pelo lado positivo dos acontecimentos. Inteligência é isso. É saber ponderar situações e só então formar uma opinião. No último final de semana, o padre Wagner Aurélio Palma, comunicou aos fiéis de sua paróquia (São Judas Tadeu e São Dimas) seu afastamento do sacerdócio por tempo indeterminado.
Antes de qualquer julgamento, devemos ponderar o quanto isso deve estar sendo difícil para ele. Ninguém escolhe ser padre, ao contrário do que a maioria pensa. Aos poucos, a pessoa vai descobrindo onde Deus a quer. Quando optamos por um caminho que Deus não sonhou pra nós, sofremos. O profeta Jonas não queria, de jeito nenhum, seguir o caminho que Deus havia sonhado pra ele. Digo sonhado porque Deus não é um tirano, nem um ditador que impõe sua vontade; Ele oferece o que sonhou para cada um. Aceitar ou não é uma opção de cada indivíduo. Jonas remou literalmente contra o sonho de Deus e foi engolido por um enorme peixe. Sofreu até seguir o que Deus sonhou pra ele.
Nós não sabemos o que Deus sonhou para a vida do padre Wagner. O que nós sabemos, com toda a certeza, é que ele só tem essa vida para ser feliz. Ele, com seu pedido de afastamento, prova que é um homem íntegro. Essa palavra que dizer: inteiro, completo, reto, inatacável (dicionário do MEC). Ele está demonstrando com essa atitude que não quer ser “meio padre” nem “meio homem”. Isso é louvável! Nossa sociedade está repleta de homens pela metade e nossa Igreja cheia de padres oportunistas.
Padre Wagner merece nosso apoio, amizade e, principalmente, o reconhecimento de que é um homem de caráter. Tem que ter muita coragem para uma atitude tão digna. Seria muito mais cômodo pra ele levar uma vida dupla como alguns que poluem a Igreja e usam o sacerdócio em benefício próprio, para uma ascensão social e autoprojeção.
Ninguém é padre pra si mesmo. O sacerdócio é um dom de serviço. O padre é padre para os outros. Ele não pode celebrar missa para si mesmo, confessar-se consigo mesmo e receber o seu próprio perdão.
Não é dado a ninguém o direito de julgar. “Eu vos digo: no dia do juízo, os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado.” (Mateus 12,36-37). Pensem o quanto esse homem deve estar sofrendo interiormente. Pensem também em quantas outras pessoas sofrem ou sofreram por atitudes de “meios padres” e “meios homens”. São esses indivíduos que praticam pedofilia, estupro, homossexualismo, adultério e assim por diante. Gostaria que os fiéis aprendessem a enorme diferença entre celibato e castidade.
Que bom saber que ainda existem homens com coragem suficiente e inteireza de caráter para não ficar escondido debaixo de uma saia, com medo da vida e acomodados hipocritamente nos braços da Santa Madre Igreja, enganando multidões com heresias sutis. Como disse o santo padre Pio: “Enquanto o Espírito Santo não mudar, a Igreja não muda.”
Obrigada Padre Wagner por sua honestidade e retidão de escolher apenas um caminho de cada vez. É notório que se o sonho de Deus para o senhor for o matrimônio, sereis um marido exemplar e um pai de família “de tirar o chapéu”. A Igreja e o mundo precisam verdadeiramente de homens como o senhor. “Porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber”. (Mateus 10,26).
Damaris do Padre Pio - RG 30.833.020-1