10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Greve fecha 24 agências bancárias

Por Sabrina Magalhães | Colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de várias tentativas frustradas de negociação e de algumas ações pontuais por reajuste salarial, bancários iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado. Balanço do sindicato da categoria informa que 24 das 44 agências de Bauru permaneceram fechadas ontem. A ação pegou muitos clientes de surpresa e agitou a região central da cidade.

A movimentação começou por volta das 8h, quando a maioria dos funcionários chega às agências para iniciar a jornada. Representantes de vários sindicatos que apóiam a greve distribuíram-se diante das agências para tentar convencer os trabalhadores a aderir à mobilização e permanecer do lado de fora dos estabelecimentos.

Numa das agências do Banco do Brasil, os sindicalistas montaram uma mesa com frutas, pães, café e refrigerantes no interior do estabelecimento, na área onde ficam os caixas eletrônicos. A direção da unidade chamou a polícia para obrigar os manifestantes a retirarem a mesa do local.

Segundo o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e região Paulo Tonon, o objetivo era chamar a atenção dos funcionários para o movimento. “A idéia é que eles parem para tomar um café e conversar antes de entrar, para que possamos falar da importância de aderir ao movimento”, comenta.

De acordo com o comandante da Base Comunitária Centro, tenente Jorge Luís Dias, gerentes do banco alegaram que a mesa estaria atrapalhando a entrada dos funcionários, o que vai contra a lei que regulamenta o direito de greve.

“Além disso, estavam servindo frutas, líquidos, o piso poderia ficar escorregadio, estavam mexendo com faca, há muitos idosos no local, chegamos num consenso e a mesa foi colocada lá fora (na calçada)”, comenta.

No mesmo prédio, também houve certo tumulto entre sindicalistas e funcionários que queriam entrar no setor administrativo do banco. Uma faixa impedia parcialmente a entrada e manifestantes tentavam convencer os funcionários a permanecer do lado de fora. Alguns funcionários insistiram e só conseguiram entrar depois de criar algum tumulto.

Em defesa do movimento, o dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) Francisco Wagner Monteiro argumentou que a greve foi uma decisão da categoria, definida em assembléias realizadas em todo o Brasil. O diretor do Sindicato dos Ferroviários, Roque Ferreira, acrescentou que o piquete é uma ação legítima, protegida pela lei.

“Podemos usar recursos para convencer o funcionário a não entrar, mas os que não são convencidos estão entrando. É lamentável que entrem, porque estamos lutando por melhores salários para todos e o que conseguirmos com a mobilização deverá beneficiar a todos”, comenta Ferreira.

De acordo com Roberto Machini, outro diretor do Sindicato dos Bancários, a intenção da categoria é manter as agências fechadas até que haja uma nova negociação. “Porque o reajuste de 4% que nos foi oferecido pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não repõe nem a inflação, enquanto só o Banco do Brasil lucrou, nos primeiros seis meses deste ano, R$ 2 bilhões”, completa.

A mobilização dos bancários conta com apoio de vários outros sindicatos, incluindo CUT, ferroviários, rodoviários, professores, eletricitários, metalúrgicos, trabalhadores da saúde e integrantes do movimento de agricultura familiar Terra Nossa.

A categoria decidiu entrar em greve por tempo indeterminado como forma de pressionar a Fenaban a atender as reivindicações da pauta dos bancários. Eles reivindicam reajuste salarial de 11,77%, mais participação nos lucros e resultados (PLR) equivalente a um salário integral, mais uma parcela fixa de R$ 788,00 e 5% do lucro líquido dos bancos.

A proposta da Federação Nacional dos Bancos é de reajuste de 4%, mais um abono de R$ 1.000,00 (parcela única) e PLR de R$ 788,00, mais 80% do salário individual dos funcionários.

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Fora do ar

Com o fechamento das agências durante a greve dos bancários, uma das únicas opções do cliente para movimentar suas contas são os caixas eletrônicos. No entanto, uma pane no sistema de computadores do Banespa Santander deixou muitos correntistas preocupados ontem.

Uma cliente, que pede para não ser identificada, procurou a reportagem revoltada pela impossibilidade de pagar suas contas. “Não consigo usar nem mesmo o cartão para fazer compras em lojas e supermercados, porque o sistema não aceita”, reclama.

A reportagem apurou que o sistema esteve fora do ar desde a tarde de anteontem. A assessoria de imprensa do banco foi acionada para falar sobre as causas da pane, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

A diretoria do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região não descarta a possibilidade de retaliação ao movimento grevista.

“Nós achamos muito estranho o fato do sistema estar fora do ar desde ontem (anteontem) e o banco não dar nenhuma satisfação aos clientes. Não tem nenhum cartaz na porta das agências, por exemplo, explicando o motivo do sistema estar fora de funcionamento há tanto tempo. Nós (do sindicato) queremos deixar claro à população que esse problema já começou ontem (anteontem) e que não tem nada a ver com a greve da categoria”, destaca o diretor Marcos Silvestre.

Sabrina Magalhães