09 de julho de 2026
Nacional

Crescimento está acima da média de 4 décadas, diz Lula

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Belo Horizonte - Referindo-se às eleições do próximo ano, quando estará também em disputa a sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem a políticos, empresários e imprensa que não permitam que a disputa política-eleitoral interfira na economia, para não atrapalhar o crescimento do país.

Lula voltou a se apegar à questão econômica como contraponto ao momento de crise política que se abateu sobre o seu governo e o seu partido, o PT. Em Belo Horizonte, ele disse que só os “medíocres” não conseguem aprumar a economia, que “vive um momento virtuoso, não excepcional ainda”, mas que está “acima da média dos últimos 30, 40 anos”. “Este país não tem por que não dar certo. Basta que o governante não seja medíocre, que não governe apenas pensando na próxima eleição. O problema do Brasil é que a classe política só pensa de quatro em quatro anos, e uma nação tem que ser pensada para 20 ou 30 anos.”

Foi então que fez o “chamamento”, expressão dele, “sobretudo aos homens que têm influência na política de Minas Gerais, na indústria, na imprensa: não permitam, em hipótese alguma, que o processo eleitoral que vai eleger um homem por apenas quatro anos estrague a oportunidade que esse país tem de se transformar numa grande nação”.

Lula voltou a dizer que, se depender dele, não haverá em 2006 “nenhum gesto” que poderá comprometer a “seriedade” com a qual diz conduzir a economia. E deu exemplos da “seriedade” ao dizer que o governo elevou a taxa básica de juros (Selic) 15 dias antes do pleito de 2004 e que, recentemente, vetou o aumento do salário mínimo de R$ 384,00, proposto “de forma irresponsável pelo Senado”.

O presidente disse ser natural divergências sobre índices de crescimento da economia (“se 4%, 5% ou 7%”) e das taxas de juros (“se muito alta, alta ou média”). Logo após a saída de Lula, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse que os juros poderiam ser menores para que o país cresça mais. Mas Lula disse que o que importa é o conjunto de números positivos, que beneficiam também os Estados. “O dado concreto é que há crescimento econômico, crescimento das exportações, das importações, sobretudo bens de capital - demonstrando que as empresas brasileiras estão acreditando no seu próprio futuro -, crescimento da poupança interna, do crédito, da massa salarial, do emprego e queda da inflação e do custo de vida. Essa combinação nós não tínhamos há muitos e muitos anos no nosso país.”

Ele disse que tudo é feito sem “milagre, mágica ou invenção”. E criticou o governo do seu antecessor, o tucano Fernando Henrique Cardoso, por causa da desvalorização cambial em janeiro de 1999, afirmando que isso fez com que agricultores “acordassem devendo mais”. Para Lula, ninguém acreditava, há um ano e meio, que o país pudesse arrecadar de janeiro a setembro deste ano US$ 112 bilhões com exportações, ter superávit em conta corrente e acumular superávit comercial de US$ 41 bilhões em apenas 30 meses.

“Se vocês querem saber, leiam os colunistas econômicos de dois anos e meio atrás e vão perceber que não existe ninguém capaz de ter a sua verdade absoluta. Muitas vezes as pessoas se colocam como se tivessem a verdade mais absoluta, que vai estar certo ou vai estar errado, sem levar em conta que o equilíbrio do comportamento dos governos é que pode fazer com que as pessoas acreditem que as coisas vão dar certo”, afirmou. Em Belo Horizonte, Lula participou de assinatura de convênios na área da saúde, visitou uma obra urbana e condecorou o ex-prefeito da capital mineira Célio de Castro com a medalha da Ordem Médica Nacional.