Se você é daqueles motoristas que acham que os automóveis e o meio ambiente não têm nada a ver, então está na hora de rever conceitos. Saiba que se preocupar com a ecologia - leia-se emissão de poluentes - na hora de rodar com o carro é um bom negócio para sua saúde e o bolso, pois, além de preservar a natureza, faz o veículo economizar combustível.
O primeiro passo para tornar o carro “ecologicamente correto” é manter a injeção eletrônica sempre regulada. “Isso porque um dos principais objetivos desse sistema, desenvolvido para substituir o carburador, é ajustar a emissão dos poluentes dos motores, coisa que os carburadores não permitiam com grande eficiência”, analisa Reinaldo Genovez, instrutor automotivo da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Outra dica é realizar as trocas ou checagens periódicas dos filtros de ar e combustível, componentes cuja função é impedir que impurezas cheguem aos motores. “O ideal é que a substituição dos filtros de combustível seja feita, em média, a cada 15 mil quilômetros nos a gasolina e a 10 mil nos a álcool”, esclarece Genovez. “Já os filtros de ar precisam ser ins-pecionados, pelo menos, em intervalos de 5 mil quilômetros, no caso do veículo rodar fre-qüentemente em pisos de terra, e de 10 mil se o uso predominante for o urbano”, explica.
Mas outros três componentes merecem atenção redobrada para a “missão” de garantir um carro “ecológico”: o ca-talisador, o cânister e o sensor de oxigênio, este também conhecido como sonda lambda. O primeiro é o equipamento responsável por transformar os gases poluentes oriundos da combustão dos motores em substâncias inofensivas ao meio ambiente e que, quando está entupido - seu dano mais comum -, pode ser facilmente percebido pelos donos de veículos.
“O carro perde rendimento, quase não anda, e o escapamento chega a ficar incandescente, pois os gases não saem e sobrecarregam o motor”, esclarece Geno-vez. Nesse caso, a troca é obrigatória, mas muitos não a realizam em virtude do preço da peça, que varia de R$ 350,00 a R$ 400,00 nos modelos populares. “Não é raro as pessoas deixarem somente a carcaça do catalisador, sem o filtro interno de cerâmica, com um cano soldado por dentro para evitar a propagação de sons. Só que quem opta por essa saída barata esquece-se de que o veículo até ganhará um pouco de potência, mas elevará o consumo e a emissão de poluentes nocivos”, alerta o instrutor.
A mesma prática do catalisador “de mentirinha” também colabora para danificar a sonda lambda (leia glossário). “Normalmente, ela trabalha a uma temperatura de 360º Celsius. Sem o catalisador, ela atuará fria, criará resíduos de carbono e travará. Com isso, além de consumir mais em marcha lenta, o carro perderá eficiência em retomadas e o dono terá de arcar com a instalação de uma nova sonda, que custa de R$ 80,00 a R$ 200,00”, analisa Genovez.
O cânister (leia glossário) é outro elemento que pode ser afetado pelo desleixo da manutenção “ecológica”. “Quem tem a mania de encher o tanque até a boca, após o travamento da bomba para arredondar os valores, deve perdê-la rapidamente. O combustível em excesso entrará no cânister e entupirá componentes, afetando o desempenho dos carros.
Nos carburados, o motorista pisa e o veículo não sai. Já nos injetados é mais difícil perceber, mas é certo que o consumo se elevará”, adverte o técnico do Senai. E complementa com uma dica final: “Há mecânicos que isolam o cânister do motor para baratear os reparos. Por isso, quando for a uma oficina, observe se as mangueiras dele estão corretamente instaladas”.
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Glossário Mecânico
• Sonda lambda ou sensor de oxigênio
Sensor capaz de medir a quantidade de oxigênio que está saindo entre os gases de escape e enviar essa informação à central da injeção eletrônica para executar as devidas correções na mistura ar/combustível dos motores.
• Cânister
Componente responsável por eliminar substâncias, como os hidrocarbonetos, que evaporam dos tanques de combustíveis e, em grandes volumes, podem comprometer a qualidade do ar. Também desvia esses vapores para o sistema de admissão dos motores para que possam ser queimados no interior das câmaras de combustão.