08 de julho de 2026
JC Criança

As mudanças começaram e aí?

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 2 min

Quando a galera entra na adolescência, muita coisa se torna diferente e a comunicação, importante neste momento, fica ainda mais complicada. “Hoje os adolescentes são muito apegados ao seu social, seus amigos, seus programas, suas viagens, a ponto dos pais sentirem-se meros provedores”, salienta o escritor IçamiTiba, em seu livro recém-lançado “Adolescentes: quem ama educa”.

Parte disso ocorre porque hoje a criança vai para a escola mais cedo, aprende a ler antes, seus interesses por informações e tecnologia chegam antes e, naturalmente, a adolescência também surge mais cedo.

A pediatra e hebiatra (profissional especialista em clínica para adolescentes) Maria Luiza Cury explica que o período da adolescência chega perto dos 10 anos para as meninos e dos 8 anos para as meninas.

“Os hormônios são diretamente relacionados ao emocional e o curioso é que nas meninas isso reflete em maior sensibilidade, às vezes ela chora à toa. Já nos meninos, quando os hormônios começam a se manifestar, eles ficam mais briguentos”, comenta a hebiatra.

A médica explica que a fase da adolescência é um período difícil, pois surgem sensações de medo, ansiedade, insegurança. “Gera também a vergonha, porque a maioria dos adolescentes não quer crescer, sabe que vai deixar a infância, mas seu corpo está crescendo e ele não sabe como será que vai ficar”, explica Maria Luiza.

São pêlos mais grossos, seios, mudança de voz, crescimento rápido e outras pequenas mudanças físicas e emocionais que vão aparecendo sem que muitas crianças estejam preparadas para essas alterações. Maria Luiza comenta que as meninas têm mais facilidade em falar de suas dúvidas, suas mudanças, o que não é uma característica do sexo masculino. “Os meninos são mais reservados.”

Por isso, há casos que o período da adolescência chega até a causar depressão no jovem. “Eles não percebem; normalmente quem nota a mudança é a mãe, que busca informações para saber como é essa crise da adolescência”, explica a médica.

“Nessa idade a depressão nem sempre é clara. O jovem tem muita energia, não gosta de ficar em casa, é falante, não quer sair com os pais e está sempre com os amigos. Mas se ele está muito quieto, sem vontade de fazer nada, sem ânimo e vai mal na escola isso pode ser sintoma de depressão. Normalmente não há uma causa específica, é a mudança orgânica mesmo”, afirma Maria Luiza.