10 de julho de 2026
Nacional

PT decide por ‘transição’ ou ‘ruptura’

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Mais do que o nome de seu presidente nacional nos próximos três anos, o PT vai hoje às urnas para escolher o modelo de como irá lidar com a maior crise enfrentada desde sua fundação, em 1980. Os 775 mil filiados aptos a votar têm como opção o discurso da “transição” de Ricardo Berzoini, candidato do Campo Majoritário, e da “ruptura” de Raul Pont, candidato da Democracia Socialista.

Deputado federal e ex-ministro da Previdência e do Trabalho, Berzoini é defensor das políticas do governo e tenta um acerto no partido que prevê uma pacificação interna para enfrentar o que considera o maior inimigo do petismo: as forças de oposição que querem barrar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. â€œÉ um momento de afirmação do partido e do governo. Não podemos abaixar a cabeça”, diz ele, que teve 42% dos votos no primeiro turno, contra 14,7% do principal adversário.

Deputado estadual e ex-prefeito de Porto Alegre (RS), Pont, da chamada esquerda do partido, aposta na reavaliação de práticas do governo e quer mudanças radicais na economia para que o PT e sua base tenham convicção em apoiar Lula na eleição de 2006. “Sou governo, mas não podemos fechar os olhos para questões que nós mesmos sinalizamos para a população e que não conseguimos realizar ainda”, afirma.

Prevendo uma disputa apertada, os coordenadores da eleição prometem uma rígida fiscalização para evitar as irregularidades - como transporte maciço de filiados - que marcaram o primeiro turno, no dia 18 de setembro.

Pelo fato de as chapas e a maioria das disputas locais já terem sido definidas na primeira etapa da eleição, o partido prevê queda no número de votantes - no primeiro turno, 314.926 foram às urnas. Além da disputa nacional, haverá segundo turno para escolha dos presidentes de diretórios de oito Estados (Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe) e 86 municípios, entre os quais dez Capitais.

O PT vai escolher seu novo presidente quatro meses após o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) denunciar um suposto esquema montado por dirigentes do partido para pagar parlamentares em troca de apoio ao governo Lula. Empréstimos foram assumidos com o empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza para o repasse do dinheiro aos aliados, o que endividou a legenda. O esquema veio à tona e os petistas alegaram se tratar de pagamento de dívidas de campanha, admitindo caixa dois.

Envolvida nas denúncias, parte da cúpula petista caiu, incluindo José Genoíno, que presidia o partido e era o candidato do Campo Majoritário nas eleições internas, e Delúbio Soares, tesoureiro. Substituto de Genoíno, o ex-ministro da Educação Tarso Genro assumiu o PT e a candidatura sob o compromisso de “refundar” a legenda. Bateu de frente com o ex-ministro e deputado José Dirceu (SP), perdeu disputas internas e desistiu de concorrer, abrindo espaço para Berzoini.

Até agora, o partido não instalou uma Comissão de Ética para investigar os parlamentares petistas que receberam dinheiro do esquema de Marcos Valério.

Se depender de Berzoini, tal comissão só será aberta após a conclusão das apurações no Congresso. Ele ainda admite que os petistas ameaçados de expulsão tenham o direito de renunciar ao cargo caso os processos a que estejam respondendo sejam usados apenas como armas da oposição. “O PT não quer pizza nem fuzilamento”, afirma o candidato, para quem há um foco exagerado da imprensa apenas sobre as denúncias que atingem os petistas.

Pont concorda que há uma “cobrança desigual” da imprensa, mas quer uma investigação interna imediata. Ele ainda é a favor de barrar a legenda em 2006 para o parlamentar que renunciar. “Esse é o comportamento que os filiados e a opinião pública esperam de nós”, afirma o candidato.