O Brasil vai mostrar a sua verdadeira cara. Caso o referendo aponte para a continuidade do comércio de armas, veremos a manutenção de um Brasil arcaico, atrasado e violento. Não são poucos os que defendem, hipocritamente, o uso de armas alegando o direito à balela da “legítima defesaâ€, apenas com o objetivo de praticar atividades ilícitas e imorais, como a caça a animais silvestres. Muito mais do que se imagina (no Rio Grande do Sul há fazendas que têm a caça permitida, a despeito da proibição nacional), além dos pobres e ignorantes, estão entre os praticantes da também vergonhosa “caça esportivaâ€, empresários, comerciantes, fazendeiros, enfim, pessoas sádicas e nefastas, cujo caráter logicamente independe da profissão exercida. Latifundiários e coronéis, por esse Brasil afora, como defendem e ampliam seus domínios territoriais a mão-de-ferro, e possuem um amplo poder sobre seus vassalos e animais, também votarão pelo não. Enquanto isso, as indústrias armamentistas continuam engordando seus cofres.
Por estas razões e tantas outras (que não caberiam no espaço de uma carta), somos pela paz e pela vida de todos os seres. Proibir armas e desarmar corações é um bom início para o controle da violência no País, que vai envolver, naturalmente, uma série de outras medidas, entre elas, a educação familiar.
Esta tribuna acaba por revelar o perfil do leitor. Estamos horrorizados com a quantidade de cartas autoritárias e reacionárias a favor das armas e até da pena de morte, escritas por historiador, professor, advogado e outros. Como esperar cidadania social e ambiental se esses profissionais, que são formadores de opinião, carregam dentro de si o germe da violência?
Pai sábio não ensina o filho a brigar, mas a dialogar; não lhe dá uma arma de brinquedo nem um estilingue, mas um livro e brinquedos educativos; não defende a pena de morte nem o porte de armas, mas pratica a não-violência e a solidariedade; não apóia o uso de armas para defender seu patrimônio, mas mostra-lhe que a posse material não pode valer mais do que uma vida, mesmo que esta seja a de um “bandidoâ€. Pai sábio diz sim, o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no País. (Pedro de Souza Meira - RG 27.849.708-1)