09 de julho de 2026
Nacional

Bicombustível supera automóvel a gasolina

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

A venda de carros bicombustíveis ultrapassou pela primeira vez a de veículos movidos a gasolina no acumulado do ano. Até setembro, as vendas de veículos que podem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com álcool foram de 563 mil unidades, contra 544 mil carros a gasolina vendidos.

Os bicombustíveis também superam levemente os carros movidos a gasolina em termos de participação de mercado. A comercialização deles chegou a 47,5%, ao passo que os veículos movidos a gasolina ficaram com 46%.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, estima que a participação dos bicombustíveis deva chegar a 80% do mercado, mas ainda mostra cautela para dizer quando isso ocorrerá. Para a Câmara Setorial da Cadeia de Açúcar e Álcool, os bicombustíveis vão representar 75% das vendas totais de veículos do País a partir do próximo ano. A projeção inicial era 67%.

Desde maio, as vendas mensais de bicombustíveis superaram a dos carros movidos a gasolina. Em setembro, essa proporção se intensificou: 91.210 de flexíveis contra 38.449 dos movidos a gasolina, 2.347 dos carros a álcool e 6.708 veículos a diesel.

Para Golfarb, diante dos bons resultados, o próximo passo é exportar os veículos flex fuel. “O bicombustível caiu no gosto do consumidor porque alivia o bolso e decididamente veio para ficar”, afirma. “Não é por falta de demanda que isso não ocorre já, mas pela capacidade das montadoras de ampliar a produção.” Golfarb garante já haver pedidos de possíveis compradores do Exterior, sobretudo, de países da América Central e da Ásia.

Cenário

O momento positivo vivido pelo segmento de bicombustíveis não reflete o cenário recente da atual da indústria automobilística, que encerrou o mês de setembro com uma queda na produção, nas exportações e nas vendas de veículos em relação a agosto.

As vendas, que tinham chegado a aumentar 9,3% no mês de agosto, apresentaram recuo de 4,8% em setembro. Até a produção recuou 5,6% e somou 205,7 mil veículos no mês passado. Já as exportações de veículos e de máquinas agrícolas, que chegaram a bater a marca histórica de US$ 1,08 bilhão no mês de agosto, apresentaram uma retração de 4,1% em setembro e ficaram em US$ 1,04 bilhão.

Mesmo com as quedas, tanto a produção como as exportações tiveram os melhores resultados da história para os meses de setembro, segundo a Anfavea. De acordo com o presidente da associação, Rogelio Golfarb, as quedas registradas decorrem do menor número de dias em setembro e não afetam as projeções para o ano - que foram revisadas para cima no mês passado.

No acumulado de janeiro a setembro, houve um aumento de 9,8% no volume de carros comercializados frente a igual período do ano passado.

Nesse período, foram exportados US$ 8,33 bilhões em veículos, aumento de 38,7% na mesma base de comparação. No ano, foram produzidos 1,83 milhão de veículos, o que representa incremento de 12,6% sobre o mesmo período de 2004.

Competitividade

O presidente da Anfavea afirma que o setor tem sofrido com o dólar barato e com os altos custos das matérias-primas, que põem em xeque a manutenção dos bons resultados obtidos nas exportações neste ano. “Nossas vantagens competitivas estão diminuindo rapidamente. Se isso não se reflete nos números agora, aponta problemas que vamos ter no futuro”, afirma o executivo.

Golfarb critica a proposta do Ministério da Fazenda de redução da tarifa consolidada de importação para bens industriais de 35% para 10,5% que está sendo estudada pelo governo na Rodada de Doha, negociação, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), para a liberalização do comércio mundial.

“É preciso olhar para a perda de competitividade que estamos tendo. Se não, vamos observar o que acontece com alguns setores que estão pedindo salvaguardas”, afirmou. Por outro lado, Golfarb elogiou a criação de uma linha de financiamento especial pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que financiará até 30% da produção de veículos destinada à exportação. “Não é uma vantagem suficiente para sustentar as exportações, mas é uma ajuda”, acrescenta.