10 de julho de 2026
Cultura

Na luta pela música

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Seu rosto já é conhecido dos motoristas de Bauru, mas não por seu talento. Ainda. O músico Adriano Brandão já vendeu CDs e atualmente comercializa doces em semáforos e outros pontos da cidade. A intenção é, além de pagar as contas, conseguir gravar seu primeiro disco e lançar-se como cantor de axé music. Para isso, ele não poupa esforços e já está a caminho de realizar seu sonho.

Na última semana, ele entrou em estúdio novamente para gravar a guia do disco, apenas com voz e violão. Sua previsão é de terminar as gravações de um CD demo de cinco faixas até dezembro. “Com o disco nas mãos, vou passar a vendê-lo nas ruas. As pessoas me perguntam sobre minha música e eu quero divulgar o CD antes mesmo de montar uma banda para me apresentar”, comenta, com o pé no chão.

Alagoano de Viçosa, Brandão, 29 anos, veio para São Paulo a fim de estudar, em 1998. Seis anos depois, formou-se em percussão no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos, de Tatuí, e mudou-se para Bauru. “Comecei a fazer faculdade de música – bateria –, mas tive de largar por problemas financeiros”, relembra. Com a dificuldade de encontrar emprego e enfrentando necessidades, ele viu no estoque de CDs de bandas que ele representava uma maneira de se sustentar.

“Passei a vender os CDs nos semáforos. Quando eles acabaram, comecei a vender os doces. Minha única expectativa é conseguir recursos para gravar meu CD”, frisa o músico. Com influências de Netinho, Ivete Sangalo e Chiclete com Banana, Brandão define o som que deseja fazer como uma mistura de axé e salsa. “Já até mandei uma música minha para o Chiclete, ‘Sou Chicleteiro’, que virou nome do último disco deles”, destaca. Apesar da música não constar no álbum, ele afirma ter informações de que a banda baiana a executa em shows.

Em seus 12 anos de carreira, ele já participou de bandas de axé, como Os Bambas, empresariados pelo jogador de futebol Edilson, além de grupos regionais. “Agora quero cantar e tocar. Vendo os doces para me sustentar e não tenho vergonha, estou trabalhando. Não quero gravar meu CD e deixar na gaveta, vou vender na rua e mostrar meu trabalho”, diz.

Brandão ainda aproveita sua formação para dar aulas de percussão na organização não-governamental Amigos da Cultura, no jardim Ouro Verde, que teve seu projeto de ensino musical aprovado na última edição da Lei Municipal de Estímulo à Cultura. “Tenho cerca de 35 alunos, entre crianças, adolescentes e adultos, e quero que eles participem de uma faixa do disco, que deve ser instrumental”, revela, orgulhoso.

Brandão pode ser contatado pelo telefone (14) 9738-6979.