11 de julho de 2026
Geral

Bauru fará cirurgia reparadora em portador de HIV pelo SUS

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria de Estado de Saúde anunciou ontem que Bauru está entre as 11 cidades paulistas que começarão a realizar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), procedimentos reparadores em pessoas portadoras do vírus HIV. A cidade está autorizada a realizar uma das oito técnicas utilizadas no tratamento da lipodistrofia, uma alteração corporal muito freqüente em pacientes que tomam o coquetel antiaids.

De acordo com a médica infectologista do Estado Stella Maris Santos Bueno, a lipodistrofia é um dos efeitos colaterais dos medicamentos usados para combater o vírus HIV. Um distúrbio metabólico faz com que a quantidade de gordura corporal diminua muito em algumas regiões e aumente em outras, causando deformidades e problemas fisiológicos importantes (leia mais ao lado).

No início deste ano, uma portaria do Ministério da Saúde incluiu oito procedimentos reparadores contra lipodistrofia na tabela do SUS. Com isso, o Brasil foi o primeiro País do mundo a regulamentar esse tipo de tratamento para pacientes contaminados pelo vírus da aids na rede pública de saúde. E Bauru está entre os primeiros municípios autorizados a realizá-lo.

“Uma das técnicas é o preenchimento facial com polimetil-metacrilato. O governo de São Paulo adquiriu 200 frascos desse produto e vai distribuir, ainda nesta semana, para alguns serviços de saúde onde as equipes já foram treinadas. É o caso de Bauru”, informa a médica, que é gerente da Assistência Integral à Saúde do Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/aids da Secretaria de Estado de Saúde.

Segundo a assessoria de imprensa do Estado, desde 2001 um grupo multiprofissional do CRT discute e oferece soluções para os problemas físicos e psíquicos provocados pela lipodistrofia. O tratamento inclui exercícios físicos, ginástica facial, orientação nutricional, acolhimento psicológico e debates.

A coordenadora do grupo, Valvina Madeira Adão, salienta que as alterações provocadas pela lipodistrofia afetam os aspectos emocionais, físicos, afetivos, sexuais e sociais do portador de HIV. Ela defende que os procedimentos reparadores são muito importantes para minimizar esse sofrimento.

De acordo com a enfermeira Eliane Monteiro, o Programa DST/Aids de Bauru registra 860 pacientes usuários do coquetel. “Mas nem todos apresentam o efeito colateral acentuado e nem todos precisam dos procedimentos reparadores. Atualmente, todos estão passando por avaliação médica. O objetivo é termos um levantamento adequado de quem precisa do tratamento contra lipodistrofia para fazermos um cadastro desses pacientes e estabelecermos o fluxo de atendimento”, explica.

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Entenda o distúrbio

A lipodistrofia é um efeito colateral dos medicamentos usados no coquetel antiaids. Trata-se de uma síndrome, ou seja, um distúrbio com vários sintomas. O mais grave deles é uma alteração no metabolismo da gordura corporal. A camada adiposa atrofia em algumas regiões (braços, pernas, face e glúteos), acumulando-se em outras (especialmente abdômen, mamas e base do pescoço).

O distúrbio acarreta alterações estéticas importantes, como enrugamento precoce da face e aparência corporal disforme. Paralelamente, o paciente apresenta afinamento e enfraquecimento dos membros, tornando-se mais sujeito à formação de escaras (feridas).

Além disso, o paciente tende a sofrer problemas na coluna cervical, aumento nas taxas de colesterol e triglicérides, além de tornar-se mais suscetível ao desenvolvimento do diabetes.

Não existem estatísticas oficiais, mas estima-se que 90% dos portadores do vírus HIV apresentem lipodistrofia em maior ou menor grau. Muitos efeitos do distúrbio são irreversíveis.

O Ministério da Saúde incluiu oito procedimentos reparadores na tabela do Sistema Único de Saúde: lipoaspiração de giba (base do pescoço), lipoaspiração de abdômen, redução mamária, ginecomastia (redução de mamas para homens), enxerto de gordura de glúteo, reconstrução glútea, preenchimento facial com tecido gorduroso, preenchimento facial com polimetil-metacrilato.