10 de julho de 2026
Nacional

Indústria têxtil entra com pedido de medidas contra produtos feitos na China

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A indústria têxtil foi a primeira a entrar com pedidos de aplicação de salvaguardas contra a China. O setor, que protocolou os pedidos ontem, alega que a seda, o veludo e os fios de poliéster texturizados chineses estão causando fortes prejuízos à indústria brasileira.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit ), há dano comprovado ainda em outros cerca de 70 produtos, que estão sendo analisados e também devem ser encaminhados ao governo.

Segundo o presidente do Sindicato da Indústria Têxtil do Estado de São Paulo (Sinditêxtil ), Rafael Cervone, há claro subfaturamento dos produtos chineses exportados para o Brasil. Ele afirma, por exemplo, que no ano passado, um quilo de calça de lã foi importado em média a US$ 1,14 da China, enquanto que o mesmo produto foi exportado para os Estados Unidos a US$ 48,80.

O Sinditêxtil calcula também que cerca de 30 mil empregos deixaram de ser criados por conta de produtos chineses importados no ano passado. A apresentação dos pedidos ao Departamento de Defesa Comercial (Decom), porém, não significa a aplicação imediata da medida. Deve haver uma etapa prévia de negociação com a China, na qual se buscará a limitação voluntária das vendas ao Brasil.

Formulário

O Ministério do Desenvolvimento disponibiliza a partir de ontem em seu site um formulário para esclarecer dúvidas de empresários e acelerar os procedimentos para abertura de investigação de salvaguarda para a China. Por meio do formulário, os empresários devem encaminhar os documentos aos técnicos do Decom, que farão uma análise preliminar dessas informações.

A partir disso, o Decom poderá dizer se o material enviado é suficiente ou não para abrir a investigação. No preenchimento do formulário, não é preciso comprovar as informações descritas. Em caso de falha na documentação, o setor terá tempo para complementar a papelada necessária antes de encaminhar a petição ao Ministério do Desenvolvimento.

Caso as informações já estiverem completas, o próximo passo será protocolar o processo de abertura de salvaguarda pessoalmente no ministério.