As aventuras de Maria ganham continuação a partir de hoje, quando tem início a segunda temporada da bem-sucedida “Hoje É Dia de Maria”. Com apenas cinco capítulos, a microssérie da Globo traz de volta o elenco da versão anterior vivendo novos personagens. Apenas a menina não mudou. Ou não. Letícia Sabatella, que dividiu o papel com Carolina Oliveira, agora viverá a espanhola Alonsa. Isso significa que a protagonista Maria será, do início ao fim, uma criança.
E é exatamente sob o olhar da garota que tudo se passará na série. Por isso, a cidade em que a história acontece foi construída em proporções reduzidas. Para quem não se lembra, na primeira versão, a história se passava no sertão. A metrópole de agora é apenas uma das novidades. A segunda - e mais importante - é que “Hoje É Dia de Maria - Segunda Jornada” tem formato de musical. “Muitos diálogos foram escritos em forma de canção. Além de mudar a linguagem, o que é um desafio para mim e para os atores, isso ajuda a tirar o preconceito de que ator brasileiro não sabe cantar e dançar”, afirma o diretor Luiz Fernando Carvalho, co-autor da série com o dramaturgo Luís Alberto Abreu.
Ele conta ainda que mais de 50 canções foram escritas e outras 30 músicas incidentais foram criadas. O material deverá ser reunido em três CDs. Para que o elenco pudesse soltar a voz, porém, os atores passaram por dois meses de aulas de canto, expressão corporal e sapateado. “A gente recebeu para aprender”, diz Letícia Sabatella.
Mas tudo tem um custo. Carvalho, que levou dez anos para tirar o projeto do papel, conta que, para fazer este “treinamento” com os atores - já que aulas nunca fazem parte dos orçamentos de um programa de TV -, conseguiu autorização da Globo para usar o “lixo” do Projac (estúdios da Globo no Rio) na construção da cidade de “Hoje É Dia de Maria”. “A primeira versão teve oito capítulos. Desta vez, são cinco. Assim, o orçamento caiu quase que pela metade. Foi a forma de termos ensaio de dança e canto”, diz.
Para transformar o lixo encontrado na Globo em cenário, o diretor contou com a ajuda de um time de artistas. Ao lado do estúdio, sob uma tenda redonda e enorme, que já foi palco do Rock’n’Rio, foram montados galpões onde alguns artistas plásticos criaram cenários, figurinos e bonecos. “Este é um trabalho alternativo dentro da TV Globo. Aqui se criou um processo de trabalho. Ele se destaca porque é um fenômeno que nos permite sonhar”, afirma a atriz Fernanda Montenegro, a Cabeça na nova jornada.
Imaginação
O sonho continua a ser o grande condutor de “Hoje É Dia de Maria”. Depois de chegar às franjas do mar, Mariazinha ficará seduzida pelas ondas e, sem perceber, será mandada para longe. É quando se depara com o Gigante. Maria passa a acreditar que, se acordá-lo, conseguirá voltar para casa. Nesta tentativa, cai em sua boca e chega à cidade - uma metrópole, na qual parte dos habitantes são bonecos. Lá conhecerá Dom Chico Chicote (Rodrigo Santoro). O mendigo, que vive em um beco da cidade, vai se tornar o grande protetor de Maria.
“O Chico é o arquétipo da esperança. Pode ser tido como louco, mas interfere com lucidez. Resgata a infância como essência”, afirma o ator. Em determinado momento da história, a cidade passará por uma guerra. A segunda parte foi gravada com ela toda destruída. “Esta segunda temporada é muito mais social. O Chico Chicote é, na verdade, um grande revolucionário”, acrescenta Carvalho.
Apesar do sucesso da primeira versão - que ficou na casa dos 30 pontos no Ibope -, o diretor não conseguiu mudar o horário de exibição da série, que continuará a ir ao ar por volta de 23h. Só o último capítulo, do sábado, irá ao ar após a novela “América”. Quem acha que terá outra chance de conferir as aventuras de Mariazinha pode desistir, pois o diretor é categórico: esta é a segunda e última parte.