Malas instaladas no hotel, hora de bater perna. A sugestão dos guias é um city tour pela Cidade Velha, que ganhou da Unesco o título de Patrimônio Histórico da Humanidade em 1997 e vem se empenhando para não perdê-lo.
Chato, nesta época, é não poder entrar no Teatro Arthur Azevedo e no Palácio do Governo, chamado de Palácio dos Leões, residência oficial do governador, que estão em reforma. Pelo menos dá para ver as fachadas e clicar umas fotos.
A visão do alto da colina onde localiza-se o palácio é deslumbrante. No passado, o lugar era estratégico para que os olhos mantivessem-se abertos contra novos invasores ou mesmo as águas do mar (as muralhas construídas para deter a força da maré alta continuam lá, imponentes).
Em frente ao prédio branco com dezenas de janelões e com jardins lembrando os do Palácio de Versalhes, na França, fica a Capitania dos Portos e quase ao lado o Palácio da Justiça ‘Clóvis Bevilacqua’.
Atravessando a rua atinge-se a Catedral da Sé, datada de 1629, com altar em pó de ouro. É a construção mais antiga de São Luís, dedicada à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Vitória.
A pintura do teto, obra de João de Deus, os móveis de jacarandá, o piso com detalhes de pedra lioz trazida de Portugal e os azulejos portugueses com quatro lados formando figuras merecem atenção.
Assim como a porta ao lado do altar, entrada para as galerias subterrâneas que conduziam os padres rapidinho de uma igreja a outra e poderia ter servido para o escoamento das riquezas brasileiras rumo a Portugal e outros portos sem pagamento de impostos.
As galerias estão sendo mapeadas em São Luís e, por enquanto, são apenas lugares sufocantes, sem acesso à população. Segundo os moradores da região, por conta delas muitos padres acabaram sendo considerados santos por conseguirem, em razão de minutos, rezar missas em paróquias diferentes.
Caminhar pelo Centro Histórico requer uma garrafa d’água (compre uma sacolinha própria para abrigá-la, feita de palha de buriti, nas lojas de artesanato por R$ 2,00) e sapatos confortáveis.
Como a temperatura média na cidade gira em torno de 33º C, uma sandália calça melhor do que tênis. E esqueça aquela velha calça jeans ou o blaser de quando você saiu de São Paulo, onde os termômetros apontavam 12ºC.
Cruz feita na Catedral, parta para conhecer a fachada da casa onde a holandesa Ana Jansen morou, fez fama e fortuna no século 19 vendendo água.
Hoje, seu nome batiza a Lagoa Jansen, um dos pontos de lazer dos moradores e turistas que visitam a cidade. Ao lado, na avenida Pedro II, fica o sobrado onde Graça Aranha morou até os 15 anos e por onde, com certeza, perambularam nomes como Humberto de Campos, Gonçalves Dias e o poeta Ferreira Gullar, maranhenses famosos.
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O palácio e o teatro
O Palácio do Governo ou dos Leões localiza-se na avenida D. Pedro II, numa ribanceira na ponta da península que separa as bacias dos rios Bacanga e Anil.
O prédio, com a sua fachada principal em estilo neoclássico, é um dos mais belos e atraentes monumentos arquitetônicos existentes em São Luís.
Cercado de jardins onde sobressaem-se palmeiras imperiais, conta ainda com uma vista majestosa do mar, quase sempre cortado por embarcações pesqueiras ou de viagens.
Sua posição estratégica lembra que ali existiu um forte, de onde os franceses invasores espreitavam a aproximação dos exércitos inimigos.
Outros exemplares dignos de destaque na “cidade dos pequenos palácios de porcelana” são o Teatro Arthur Azevedo, datado de 1817 o segundo mais antigo do Brasil -, e o Convento das Mercês, na Rua da Palma.
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Invasões européias
Coube ao francês Daniel de la Touche (1612) as glórias de ter fundado São Luís. Foi assim batizada em homenagem ao rei Luís XIII, que financiou sua viagem ao Brasil para aqui instalar a “França Equinocial”.
Apenas três anos depois, em 1615, a ilha foi dominada pelos portugueses, que se instalaram nos sobrados e casarões e tornaram-se os senhores absolutos do pedaço até 1641, quando ocorreu nova invasão, desta vez a cargo dos holandeses.
Eles ficaram no Maranhão até 1644, quando definitivamente foram expulsos pelos portugueses.
Exemplares dessa época lusitana podem ser vistos ainda hoje na rua Portugal, que preserva um conjunto de casarões belíssimos com os últimos pisos - geralmente são três - com fachadas de azulejos autênticos.
Essa região tem vida, com barzinhos onde ouve-se MPB de primeira e saboreia-se a típica culinária maranhense, com carne-de-sol, arroz de cuxá, peixes e frutos do mar no cardápio.
Alguns endereços são imperdíveis, como os bares Antigamente e Bagdá Café, além de outras casas legais espalhadas pela Praça Mauro Machado, que se abre a eventos quando a tarde cai.
Os sobrados dessa e de outras ruas históricas fazem parte do Projeto Reviver, que catalogou 2.000 casas históricas na ilha, sendo mais de 800 somente na parte antiga.
Outro exemplo vem da Rua do Giz, onde várias construções foram restauradas e outras infelizmente estão em processo de degradação, ou seja, em ruínas, por não poderem sofrer intervenção por serem de propriedade privada.
A meta do projeto é restaurar 35 casarões por ano. Trabalho de fôlego que depende de dinheiro, paciência, muito estudo e a contratação de restauradores consagrados.