Avaliando politicamente, o ano de 2005 já está encerrado, pois podemos esquecer as reformas que o País tanto necessita. Tão logo passe a crise do Valerioduto, estará iniciada a corrida presidencial, se é que esta já não começou. Penso que já podemos começar as especulações em torno da Copa de 2006 e assim ajudar a manter a nossa ingrata fama de povo que só pensa em futebol e Carnaval. Acredito ser praticamente impossível o Brasil perder o hexacampeonato, assim como a capacidade do nosso País crescer.
Sim, nós vamos passar por mais esta crise e dar mais alguns passinhos à frente até o próximo grande escândalo. Nosso maior problema não é econômico, mas político. A seleção canarinho só perde a Copa e nós só vamos deixar de crescer se houver excesso de confiança. Com tantos craques, com tantos títulos, corremos o perigo de entrar no clima do “já ganhou”. Nós temos de parar com essa mania de achar que tudo se resolverá sozinho, confiantes que os outros países comprarão de nós porque somos mais alegres e camaradas. Parar de confundir bom relacionamento com sorrisos e churrascos regados a caipirinha e sermos um pouco mais profissionais.
Na China, temos mão-de-obra infantil e semi-escrava, líderes comunistas, pirataria, burocracia em excesso e mesmo assim, é hoje, o país que mais recebe investimentos estrangeiros. Eu sempre me pergunto: "Por que não o Brasil?" A pergunta está errada e deveria ser: "O que devemos fazer para sermos nós?" Não vai ser copiando a China com seus métodos pouco convencionais que vamos chegar lá. Temos que tomar muito cuidado com qualquer competidor, com qualquer concorrente, mas também fazer alianças estratégicas e aprender com nossos adversários aquilo que eles fazem de melhor sem perder a nossa identidade.
Não basta ter os melhores jogadores do mundo. É preciso ter entrosamento, treinamento tático e quem faz isso é o técnico. É claro que é excelente ter grandes craques, mas é preciso alguém com pulso firme para evitar a fogueira das vaidades. O País está cheio de grandes e excelentes profissionais talentosos. Economistas, administradores, homens de mar-keting, advogados, agricultores, artistas e tantas outras categorias. Precisamos introduzir em nossas empresas o sistema da meritocracia, além de trabalhar novos valores e comportamentos. O governo é uma peça importante neste jogo, mas não podemos depender exclusivamente da boa iniciativa política. Políticos existem para brigar pelo poder. Eles não possuem um projeto para o País, mas sim um projeto de vaidade, de tentar se perpetuar no poder. Portanto, quanto menos dependermos desta classe, melhor.
Sinceramente, só perderemos a Copa de 2006 se a perdemos para nós mesmos. O Brasil só vai deixar de ser grande se acreditarmos que somos piores do que os outros. Somos mais atrasados em se tratando de instituições e leis, é verdade, mas como em cada Copa, em cada escândalo, temos muito que aprender e evoluir. Posso estar certo ou errado, só o tempo irá dizer, mas minha certeza de que somos grandes e seremos ainda melhores é um fato. Pense em quanto nosso País já evoluiu do período pós-militarismo para cá. Eu estou louco para ganhar o título: “País que diminui em menos tempo sua desigualdade social”. Este é um grande campeonato e para vencer cada um terá que fazer a sua parte. Chega de previsões e mãos à obra!
O autor, Paulo Araújo, é palestrante e escritor, autor de “Motivação - Hoje e Sempre”