Praga de rápida disseminação, o vírus do endurecimento dos frutos (PWV) do maracujazeiro está preocupando produtores de maracujá da região de Bauru e todo País. De acordo com o professor e engenheiro agrônomo Aloísio Costa Sampaio, atualmente os principais problemas do sistema de produção da fruta, em todas as regiões produtoras brasileiras, estão relacionados a este vírus. O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá.
Diante da seriedade da situação, o Sindicato Rural de Bauru e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) promovem, nos dias 21 e 22 deste mês, o seminário “Manejo no controle do vírus do endurecimento dos frutos (PWV) do maracujazeiro”. O evento é gratuito e será realizado na sede do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio).
“O principal objetivo do seminário é discutir o grande problema da cultura do maracujá no momento, que é o vírus do endurecimento, além de divulgar as técnicas convencionais de manejo para o controle da virose - que deve ser preventivo. Então, é fundamental que todos os produtores conheçam os sintomas da doença na planta para fazer a prevenção”, diz Sampaio, professor da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Segundo ele, a principal técnica utilizada para o controle do vírus é o plantio de mudas produzidas em sistema de estufa com telas anti-pulgão, já que o inseto transmissor do vírus do endurecimento dos frutos é um pulgão.
“Dentro de uma estufa com telas, o produtor tem a segurança de que, na fase de produção da muda, não haverá contaminação. Ao se alimentar da seiva de uma planta doente, o pulgão se contamina e, cada planta sadia que leva sua picada, será infectada. A partir da contaminação de uma planta, dentro de 60 dias todo o pomar terá sido afetado”, destaca Sampaio.
Outro importante método de controle do vírus é fazer o corte da planta que apresentar os sintomas da doença na fase inicial de produção, ou seja, antes do florescimento. A principal característica da presença dessa virose nas plantações de maracujá são bolhas amareladas nas folhas.
Ainda de acordo com Sampaio, entre as diversas espécies do gênero passiflora (gênero do maracujá), ainda não foi descoberta nenhuma que seja resistente ao vírus. Por isso, muitos pesquisadores têm apostado no melhoramento genético da fruta.
Em função disso, um dos palestrantes convidados para o seminário é o professor doutor Francisco Murilo Zerbini Júnior, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Minas Gerais. Segundo Sampaio, ele conseguiu desenvolver um material resistente ao vírus por meio do uso de plantas transgênicas.
“Ele testou três variedades do vírus, encontradas na Bahia, Minas Gerais e em São Paulo, e em todos os testes foram obtidos resultados positivos. Mas por enquanto são apenas estudos em laboratório, porque para colocar transgênicos no campo é preciso a autorização da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança)”, adverte Sampaio.
Segundo ele, na região de Marília e Vera Cruz, que consiste num grande pólo produtor de maracujá, as plantações estão sendo destruídas pelo vírus do endurecimento. Na avaliação do professor, o grande problema em casos como esse é a desinformação sobre o controle do vírus, principalmente por parte de pequenos produtores.
“Uma lavoura que não tenha um bom manejo em relação ao controle (da praga), será fonte do vírus com uma população imensa de pulgões que, regionalmente, faz um estrago imenso. Os produtores de Bauru estão muito preocupados com isso. Por isso, é fundamental saber mais sobre essa doença para poder controlá-la e preveni-la”, ressalta Sampaio.
As principais regiões produtoras de maracujá do País são a Bahia (maior estado produtor), Minas Gerais e, no Estado de São Paulo, o pólo de Registro, Adamantina e Dracena (região da Alta Paulista). Mais recentemente, Bauru vem se destacando na produção desta cultura por meio do trabalho da associação Bauru Frutas, entidade fundada em fevereiro de 2004 e que, atualmente, registra uma produção mensal de 25 toneladas de maracujá.
O seminário dos dias 21 e 22 está sendo organizado pela Unesp, Agência Paulista de Tecnologioa dos Agronegócios (Apta), Universidade do Sagrado Coração, Secretaria Municipal de Agricultura, Sistema Agroindustrial Integrado (SAI) e Fundo Passiflora.
• Serviço
Mais informações e inscrições para o seminário “Manejo no controle do vírus do endurecimento dos frutos (PWV) do maracujazeiro” pelo telefone (14) 3234-2938.