08 de julho de 2026
Cultura

‘Old Boy’ explode com vingança

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Um choque, um soco no estômago, engatar a primeira marcha com o carro a 140 quilômetros por hora. É mais ou menos essa a sensação que fica ao término de “Old Boy”, filme do diretor sul-coreano Park Chan-Wook, já disponível nas locadoras. O longa, de 2004, recebeu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes do ano passado. Louvor merecido, já que o filme está certamente entre os melhores a chegar aos cinemas brasileiros nesse ano. Assisti-lo, mesmo que na tela pequena, não diminui a experiência.

“Old Boy” é o segundo filme de uma trilogia sobre vingança, planejada por Chan-Wook. O primeiro foi “Sr. Vingança” (“Sympahty for Mr. Vengeance”), de 2002, que deve ser relançado em DVD, e de “Lady Vengeance”, que chegou aos cinemas há alguns meses. Tal qual as tramas de vingança de Shakespeare - guardadas as proporções -, o diretor esmiuça, desconstrói e reelabora cada uma das histórias com crueza, violência e ironia, conduzindo, como uma dança, a um final explosivo.

“Old Boy”, baseado em um mangá japonês, tem Oh Dae-Su (o ator Choi Min-Sik) como protagonista. Casado e pai de uma garotinha, ele é levado alcoolizado a uma delegacia. Na saída, ao tentar ligar para casa, ele desaparece misteriosamente. Na seqüência, o filme o encontra em um quarto fechado, apenas com uma TV, cama e banheiro. Pelo noticiário, ele descobre estar sendo procurado como suspeito do assassinato de sua esposa. Na solidão do quarto, Oh Dae-Su sabe que está pagando por algo, sem saber exatamente o quê.

Quinze anos depois, ele simplesmente é deixado em liberdade na rua. Um mendigo lhe entrega uma pasta com um telefone celular e dinheiro e a informação de que sua prisão ainda não acabou. Sua missão, a partir de então, é descobrir quem o deixou preso tanto tempo e por quê. Com a ajuda da cozinheira Mido (Gang Hye-jung), Dae-Su passa a visitar as pessoas de seu passado e ingressa em um jogo de violência, raiva e impotência de cinco dias com seu algoz.

E é mesmo a violência crua das ruas que recheia o filme - o que não deixa de ser uma coreografia, quase um balé, como na cena do corredor. A animosidade da vingança é o motor da trama, com roteiro preciso, que explode em seu desfecho de maneira a deixar arrepiado qualquer um com sangue nas veias.