Descendente de sírios, o comerciante Fernando Jorge Salomão herdou de seu pai a responsabilidade para administrar uma das mais antigas lojas do município, a Casa São Jorge, localizada na quadra 3 da rua Azarias Leite.
A história deste estabelecimento comercial começou a ser construída com a chegada de seu avô, Elias Salomão, a Bauru em 1905. “Ele era mascate e veio empolgado com o início das obras da estrada de ferro na cidade”, contou o comerciante. Segundo Fernando, seu avô vendia linhas para costura e botões para peças de roupas em cima de um cavalo. “Inicialmente, ele ia nas fazendas e também vendia de porta em porta”, comentou com orgulho de seu ancestral.
Em 1928, Elias, que já havia casado na cidade e tinha um filho, decidiu parar com a profissão de mascate e abriu uma loja que passou a comercializar calçados. A partir de então, ele começou a viajar para São Paulo para trazer mercadorias. “Naquela época, quando o comércio já estava forte, os sitiantes vinham de sábado e domingo para comprar”, lembrou.
“A história de meu avô é de muita luta e persistência. Ele atravessou o mundo e encarou novos desafios com muita coragem. Até hoje passa gente aqui falando dele”, comentou. Por esse motivo, o comerciante afirma que tem ainda mais disposição para cuidar da loja. “São cem anos de tradição e a gente já faz parte da história da cidade”, completou.
Vindo do Líbano para o Brasil em 1954, o também comerciante Kalim Ibrahim Bitar, logo começou a trabalhar como mascate. De 1955 a 1960, vendeu armarinhos e aviamentos na cidade de Bauru. “Naquele tempo, eu já trabalhava com carro e vendia para algumas lojas”, disse. Não demorou muito, em 1962, ele abriu sua primeira loja e parou de atuar como mascate. “Parei porque eu queria ter uma vida mais confortável e com a loja era mais fácil”, explicou.
Atualmente, Kalim tem 73 anos de idade e não desiste de trabalhar. Ajuda os filhos a gerenciar a Armarinhos 25 de Março, que fica na quadra 3 da rua 13 de maio. “Parar não é uma opção. Até hoje, tenho a mesma boa vontade de antigamente para trabalhar”, garante ele.