08 de julho de 2026
Geral

Empresas valorizam mães executivas

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Em que pesem as mudanças no mundo corporativo das empresas, que começaram a apostar na liderança feminina para cargos de chefia, um dos principais desafios da mulher contemporânea talvez seja o de equilibrar carreira profissional e maternidade.

Até bem pouco tempo, muitas tinham de escolher entre ter um filho ou conquistar ascensão no trabalho. Embora timidamente, esse cenário, felizmente, está se transformando. Aos poucos, diversas empresas estão dando respaldo para que a maternidade acompanhe o crescimento profissional das funcionárias. Muitas delas conseguem ser promovidas ou galgar postos elevados quando têm filhos ou quando estão grávidas.

É o caso da designer Marisa Romangnolli, 41 anos, coordenadora da assessoria de comunicação do Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofacias, o Centrinho. Quando entrou no hospital, em 1989, seu filho tinha 3 anos. Havia acabado de se separar e fazia faculdade à noite, na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Comecei como secretária, trabalhava durante o dia no Centrinho e à noite ia para a universidade. Criei meu filho, que hoje está com 19 anos, trabalhando e estudando”, diz Romangnolli. Nesse período, ela se preparou para ocupar a coordenação do órgão de imprensa.

“Não havia assessoria antes. Eu e a Elaine, que atua como jornalista, ajudamos a implantá-la”, conta.

Atualmente Romangnolli, que comanda 17 pessoas, faz mestrado na Escola de Comunição e Artes (ECA), em São Paulo, e viaja uma vez por semana, com a autorização da chefia. “Sempre fui estimulada a crescer dentro da empresa”, diz a designer.

Para ela, a maternidade contribuiu para seu crescimento profissional. “Hoje as mulheres são mães mais tarde, por volta dos 30 anos, e isso não atrapalha em nada a ascensão dentro das empresas. Acho que falta alguma coisa para a mulher que não tem filhos. É muito bom tê-los e educá-los”, opina.

Grande parte da mudança no setor corporativo é resultado do próprio esforço feminino. “A mulher consegue tratar vários assuntos ao mesmo tempo sem que um atrapalhe o outro. Mais do que o homem, acho que ela tem essa facilidade: é mãe, dona de casa e funcionária”, diz Sueli de Fátima Pires, supervisora de recursos humanos da Tilibra.

Há 37 anos na empresa e mãe de dois filhos de 18 e 15 anos, ela compartilhou conquistas pessoais e profissionais ao mesmo tempo sem que uma interferisse na outra.

Pires entrou aos 14 anos na Tilibra como aprendiz de encadernadora, trabalhando na área de produção. Estudou e foi galgando novos postos. Passou para o setor pessoal, depois para subchefe e em seguida chefe da seção.

Anos mais tarde, foi promovida à supervisora de recursos humanos, o cargo máximo dentro do setor. Tudo isso cuidando dos filhos e da casa. “A maternidade não atrapalhou meu desempenho na empresa e o meu trabalho também não atrapalhou na educação”, conta Pires.

A estrutura familiar equilibrada é um suporte para que a mulher executiva concilie bem a carreira e os filhos. Inge Trindade, 52 anos, é prova disso. Mãe de três filhos, de 28, 27 e 19 anos, ela é professora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), pesquisadora e presidente da Comissão de Pós-Graduação do Centrinho e professora titular da Universidade de São Paulo, posto mais elevado na área.

A maternidade nunca impediu sua trajetória acadêmica. Pelo contrário, diz ela. “Tive um filho em cada época da minha vida. Minha primeira filha nasceu logo após o término da graduação. No mestrado nasceu meu segundo filho e no doutorado, meu terceiro filho”, diz ela. “Tive apoio da minha mãe e da minha sogra para cuidar das crianças e acredito que, se a pessoa tiver uma boa estrutura familiar, é possível conciliar a carreira e os filhos”, ressalta.