08 de julho de 2026
Geral

Acampar ajuda crianças diabéticas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Um grupo de aproximadamente 20 crianças e adolescentes diabéticos está passando o final de semana no Acampamento Tibiriçá para que aprendam a se auto-examinar, medicar-se e escolher os alimentos sozinhas. A iniciativa é da Associação dos Diabéticos de Bauru e tem como principal objetivo garantir autonomia para os pequenos pacientes, que têm entre 8 e 17 anos.

O presidente da associação, José Roberto Eleutério, explica que todos eles têm diabetes tipo 1 – aquele que exige aplicações diárias de insulina para manter adequados os níveis de açúcar no sangue.

“Essas crianças tendem a se sentir anormais, acham que não vão arrumar namorado, têm vergonha de falar da disfunção, têm dificuldade de sair de casa sem os pais. Aqui, elas convivem com outros diabéticos, vêem que não são as únicas, descobrem como as outras enfrentam as dificuldades e uma ensina a outra a se automonitorar e auto-aplicar”, observa.

De acordo com o médico endocrinologista Carlos Antonio Negrato, estudo realizado com 1,5 mil diabéticos nos Estados Unidos e Canadá comprova que o controle adequado da glicemia evita as complicações da doença. Níveis muito altos de açúcar no sangue alteram a circulação, podendo causar desde problemas de cicatrização até amputações, cegueira e doenças cardíacas.

“Mas o controle bem feito permite que o diabético tenha uma vida longa e normal. Só que para ter controle é preciso um trabalho de educação, que é o que estamos fazendo com esse grupo de crianças”, comenta.

Em três dias de acampamento, uma equipe multidisciplinar (médicos, enfermeira, nutricionista, fisioterapeuta, dentista, psicóloga e assistente social) observa o comportamento do grupo, apontando erros e acertos e incentivando meninos e meninas a assumirem eles próprios o controle da doença.

“Aqui eles aprendem a dosar a insulina, aprendem a importância dos exercícios físicos, são orientados sobre a dieta adequada, aprendem a monitorar a glicemia (que exige vários testes por dia) e aprendem as técnicas de aplicação da insulina”, descreve o médico.

Quase todas as crianças, cujos nomes serão preservados pela reportagem, aplicaram insulina sozinhas pela primeira vez. É o caso da pequena “A”, 9 anos. “Eu morria de medo, mas achei ‘facinho’. Agora eu é que vou aplicar”, garante. Segundo os monitores, a menina nunca sai de casa sem a mãe, única pessoa que ela aceita que lhe aplique as injeções.

“Eu me achei um besta de ter medo. A gente se ‘rala’ inteiro brincando, é muito pior. Agora só eu vou aplicar. Vai melhorar muito”, afirma “V”, 9 anos.

“Perdi o medo de aplicar insulina em mim. Isso vai facilitar muito. Às vezes quero ficar na casa do meu pai e minha mãe não deixa porque eu não sabia aplicar sozinho. Agora vai dar”, acrescenta “T”, 12 anos.

Segundo Negrato, as ações educativas são o principal objetivo da Associação dos Diabéticos de Bauru. “Esse trabalho já nos rendeu um prêmio, em 1998, outorgado pela Associação Latino-Americana de Diabetes. Nosso projeto de educação foi considerado modelo para países mais pobres”, orgulha-se o médico.