09 de julho de 2026
Regional

Jaú tem uma queimada para cada 590 habitantes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Jau - A grande concentração de queimadas de palha de cana-de-açúcar na região de Jaú, constatação antiga dos moradores, foi confirmada em pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP). O estudo, no entanto, vai além da confirmação. Aponta números, no mínimo, incômodos. Existe uma queimada ao ano para cada 590 habitantes.

O cálculo consta na dissertação de mestrado recentemente apresentada na Faculdade de Saúde Pública da USP, de autoria do pesquisador Fábio Silva Lopes. Conforme o JC publicou anteriormente, ele estruturou um Sistema de Informações Geográficas (SIG) utilizando informações obtidas pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) e por meio do DataSUS – banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A proposta do trabalho foi buscar correlação das queimadas com problemas respiratórios. Utilizei o geoprocessamento como instrumento. Coloquei tudo no mapa e vi as coincidências. Estamos levantando hipóteses. Confirmações dependem de estudos mais aprofundados”, diz Lopes. As novas pesquisas poderão explicar a similaridade entre aumento de queimadas e os problemas respiratórios, cenário retratado nas imagens de cidades como Jaú, Areiópolis, Barra Bonita, Bariri, Bocaina e Boracéia.

“O único incômodo do carvãozinho (material resultante da queima da palha) é a sujeira. Não tem prejuízo para a saúde. Querem achar pêlo em ovo. A estação de medição da qualidade do ar da Cetesb (Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental) não apresentou problema um dia sequer”, afirma o Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão.

Limite

Neste ano, de fato, nenhum dos poluentes avaliados pela Cetesb ultrapassou os parâmetros de qualidade estabelecidos internacionalmente. Portanto, respeita os limites de proteção à saúde, explica o químico e gerente da Divisão de Tecnologia de Avaliação de Qualidade do Ar da Cetesb, Jesuino Romano.

“A universidade poderia avaliar melhor se algum outro poluente estaria trazendo malefício à saúde”, diz o gerente. Mas a situação confortável de 2005 é recente. No ano passado, quando o estudo da USP foi realizado, a concentração de ozônio ultrapassou os parâmetros estabelecidos em várias ocasiões. O problema não voltou a se repetir desde de janeiro.

No entanto, o novo cenário não é sinônimo de ausência de problemas. Neste ano, a Cetesb aplicou três advertências e três multa na região por causa da queima irregular de palha de cana-de-açúcar. De acordo com o engenheiro Alcides Tadeu Braga, gerente da Agência Ambiental de Bauru, o valor de cada uma das multas é de 7.500 Ufesps (R$13,30 a unidade), No total foram recolhidos R$ 299.250,00.

“Temos política para queimada (após às 19h). Não queremos incomodar a população porque também moramos na cidade. 95% dos fornecedores e usineiros seguem (a política). Em um ou dois anos todo mundo vai seguir. Não é um problema de lei, mas de conscientização”, conclui Brandão.

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Poluentes

Os poluentes avaliados pela Cetesb são dióxido de enxofre, de nitrogênio, monóxido de carbono, ozônio e material particulado (partículas suspensas no ar). Em grande concentração, eles podem agredir o aparelho respiratório, provocar irritação de mucosas e tosse, explica o químico e gerente da Divisão de Tecnologia de Avaliação de Qualidade do Ar da Cetesb, Jesuino Romano.

O problema vem sendo amenizado desde 2003 com a vigência da lei estadual número 11.241, que dispõe sobre a queima da palha da cana-de-açúcar. Regulamentada, ela apresenta tabela de eliminação gradativa do atual processo de cultivo, o qual deverá ser totalmente substituído até 2031. A partir daí, só será aceito o cultivo mecanizado da cana crua.

Da Redação