10 de julho de 2026
Regional

Presos se rebelam na cadeia de Bariri

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Bariri - Revoltados com a descoberta de um plano de fuga, cerca de 35 detentos colocaram fogo nos colchões e destruíram parcialmente a cadeia de Bariri (56 quilômetros de Bauru), ontem de manhã. O local tem capacidade para receber apenas 24 acusados.

Até o fim da tarde de ontem, pelo menos cinco presos haviam sido transferidos. Eles foram encaminhados para o Centro de Ressocialização (CR) de Jaú. Não foi registrada fuga de nenhum preso, durante a rebelião. Também não há notícia de agressão contra funcionários e policiais.

A rebelião começou por volta das 11h, quando os detentos tomavam banho de sol no pátio da cadeia. Quando souberam que o plano de fuga havia sido descoberto, eles começaram a pôr fogo nos colchões. As chamas danificaram todas as celas. O fogo só foi controlado com a chegada do Corpo de Bombeiros. A parte hidráulica e elétrica terão de ser reformadas.

O protesto foi controlado cerca de duas horas mais tarde com a chegada de reforço da Polícia Militar e Civil de Jaú. Cerca de 25 homens da PM ficaram do lado de fora da cadeia, enquanto os policiais civis tentavam convencer os rebelados a suspender a depredação.

Assim que a situação voltou ao normal, os presos foram reunidos no pátio, onde passaram por uma revista minuciosa. De acordo com a polícia, nenhuma arma foi encontrada.

A remoção dos cinco primeiros presos já havia sido acertada antes da rebelião, segundo a polícia. Outros também teriam de ser transferidos, mas até o fechamento desta edição ainda não havia definição de quantos presos seriam levados e nem para onde. O delegado seccional, Edmundo Ciro Vidal, negociava ontem por telefone as transferências.

O dano ao patrimônio público custará aos detentos de Bariri o fim de alguns privilégios, como relaxamento de pena, por exemplo. Difícil vai ser descobrir os responsáveis pelo tumulto. A própria polícia admite que dificilmente algum preso vai apontar um culpado. Se alguém faz isso dentro da cadeia, a convivência com os demais presos pode ficar insuportável e até mesmo arriscada. Diante dessa provável dificuldade em encontrar os culpados, uma das saídas para a polícia é indiciar todos os 35 presos pelo dano, o que deverá complicar ainda mais a situação dos acusados diante da Justiça.

Na cidade desde 1998, o tenente Márcio Michelassi, comandante da PM local, disse que a rebelião de ontem foi a primeira presenciada por ele. O padrão de comportamento dos presos de Bariri, segundo o policial, é pacífico. A confusão de ontem foi vista com surpresa pelo comandante.

Depois da desativação das cadeias de Jaú (definitiva) e Barra Bonita (temporária), os presos dessa região são encaminhados para Igaraçu do Tietê e Bariri. Ambas superlotadas. Na sexta-feira passada, 37 presos fugiram da cadeia de Igaraçu.