São Paulo - Presos da facção criminosa Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade, o CRBC, mataram três rivais e fizeram 12 funcionários reféns durante rebelião que acabou após 11 horas na penitenciária “José Parada Neto”, em Guarulhos (Grande São Paulo).
A penitenciária tem capacidade para 804 homens, mas abriga 1.049 atualmente. O motim terminou às 18h30 de ontem, depois que o próprio secretário de Estado da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, teria cedido às exigências feitas pelos presos. Ele afastou dois diretores do presídio.
A rebelião contou com a participação de outros dois presídios dominados pelo CRBC, que se amotinaram em “solidariedade” ao “Parada Neto”. No Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos os presos atearam fogo aos colchões e foram contidos por volta das 15h. Já na Penitenciária Compacta de Avanhandava (485 quilômetros de São Paulo) os presos fizeram um funcionário refém e continuavam amotinados até as 18h de ontem.
O motim começou por volta das 8h30, quando um agente de segurança foi rendido. A secretaria afirmou que a única reivindicação apresentada foi a presença, nas negociações, de uma juíza-corregedora da região. Com capacidade para 768 presos, a unidade abriga 926.
Diretores afastados
No “Parada Neto”, a rebelião teve início por volta das 7h30, quando os presos, armados de naifas (facas improvisadas) e pedaços de pau, conseguiram dominar o diretor de segurança e disciplina, Jorge Augusto de Santana, e 11 agentes penitenciários.
Em seguida, os rebelados mataram três detentos rivais. Uma das vítimas, Edelson José Lins da Silva, foi morto por se dizer membro do Comando Vermelho, do Rio, facção inimiga do CRBC. Segundo parentes de presos, ele foi degolado e os presos jogaram futebol com sua cabeça no pátio. Os outros dois, Ataíde José Ribeiro Neto e Adilson de Jesus dos Reis, foram esfaqueados.
Em nota distribuída à imprensa pelo próprio Furukawa, os presos acusam a direção do presídio de permitir a entrada de detentos ligados a outras criminosas. Oficialmente, Furukawa deu outros motivos para o afastamento dos diretores.
Segundo ele, o diretor de segurança e disciplina foi afastado por não ter mais condições psicológicas para permanecer no cargo. Já o diretor-geral do presídio, Aniceto Fernandes Lopes, estaria saindo temporariamente do cargo para cobrir férias de outro funcionário do sistema.