10 de julho de 2026
Polícia

Adolescentes confessam homicídio e tentativa de homicídio em baile funk

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Investigando a morte de Rita de Cássia Britz de Camargo, 29 anos, cujo corpo foi achado dentro de córrego Água do Castelo, na divisa do Parque São Geraldo com o Jardim Maria Célia, no domingo passado a cerca de 800 metros de um baile funk onde ocorreu uma dupla tentativa de homicídio, a Polícia Civil chegou a dois adolescentes, um de 17 anos e outro de 15 anos. O mais velho confessou que matou a mulher e o mais novo, que atirou contra um grupo de pessoas.

O caso foi esclarecido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que enviará os inquéritos para a Vara da Infância e Juventude para providências referentes aos dois adolescentes. O processo também será remetido ao 2.º Distrito Policial para apurar a responsabilidade de uma pessoa maior de idade que teria dado fuga aos adolescentes, explica o delegado J.J. Cardia, titular da DIG.

Com as investigações em andamento, os adolescentes compareceram à DIG acompanhado de advogado. O rapaz de 17 anos disse que, na noite dos fatos, por volta das 23h, Rita de Cássia o procurou em seu barraco, na favela do Jardim Maria Célia, onde estava com o rapaz de 15 anos, com o objetivo de comprar crack. Em depoimento, o adolescente afirmou que não venderia o entorpecente a Rita de Cássia que, diante da negativa, teria ameaçado-o, afirmando que iria mandar seu marido e seu irmão matá-lo e à sua mulher também.

Em seguida, ao entrar no barraco, o adolescente disse que encontrou Rita de Cássia espetando sua mulher com uma faca. Ele contou que foi até um terreno, nas imediações da favela, onde desenterrou um revólver calibre 38 que pertencia a um rapaz morto no ano passado. Ao retornar para a favela, o rapaz de 17 anos afirmou que efetuou cinco disparos em direção de Rita. Atingida, a mulher teria morrido imediatamente.

Os dois rapazes decidiram, então, arrastar o corpo para o córrego, onde foi localizado no dia seguinte, por volta das 14h30. Após desovar o cadáver, o adolescente de 15 anos disse que pediu ao amigo a arma, para guardá-la. No trajeto, ambos passaram em frente ao centro comunitário do Jardim Godoy, onde acabava de ser realizado um baile funk.

Ao aproximar-se do local, os dois perceberam um grupo de dez pessoas discutindo e entre elas estava um amigo de um deles. De acordo com os dois rapazes, várias pessoas correram na direção deles, o que teria levado o adolescente de 15 anos a atirar com medo de ser agredido. Os disparos atingiram Hélio César Egildo de Arruda, 21 anos, com gravidade, e um adolescente de 16 anos na perna.

Após efetuar os disparos, os dois contaram que fugiram do local na moto de um rapaz que seria maior de idade e cujo nome indicaram à polícia, e esconderam a arma no mato. Os adolescentes, que têm passagem pela Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) por furto e estavam em liberdade assistida, apresentaram ao delegado J.J. Cardia a arma do crime, um revólver Taurus com numeração obriturada, e mais projéteis intactos.