10 de julho de 2026
Polícia

Já lotadas, penitenciárias de Bauru recebem 54 presos de Avanhandava

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Há muitos anos operando com quase o dobro da capacidade ideal, as duas unidades penitenciárias de Bauru receberam 26 detentos cada uma no último domingo à noite. Os prisioneiros vieram transferidos do presídio de Avanhandava, onde corriam risco de morte devido à rebelião. A penitenciária Dr. Adalberto Brochieri (P1), que abrigava 985 detentos, agora tem 1.011. Já a penitenciária Dr. Eduardo de Oliveira Vianna (P2), que estava com 976, passou a 997 presos. As duas unidades foram construídas para atender uma população máxima de 534 detentos cada uma.

A Ala de Progressão Penitenciária (APA) da P2 também funciona com excedente de presos. Projetada para comportar 108 detentos em regime de semi-liberdade, a APA abriga 132. Já na P1, a situação é inversa. Atualmente estão presos na ala 101 homens, ou seja, sete a menos que a capacidade máxima.

Apesar de administrar uma penitenciária com quase o dobro do ideal, José Carlos Pedroso, diretor-geral da P1, se diz tranqüilo com o clima do presídio. “Dá para controlar. É difícil acontecer alguma rebelião em Bauru”, assegura.

Segundo Pedroso, a ausência de facções criminosas entre os presos ajuda a manter a paz, apesar da unidade estar com 89% mais homens que sua capacidade máxima. A “normalização” da P1, que é operar com cerca de 960 condenados, brevemente será restabelecida, garante Pedroso. “Acredito que em dois meses volte ao normal”, prevê o diretor.

Diretor disciplinar da P2, Marcos Bosquieiro afirma que para evitar tumulto entre os presos, os novos detentos estão passando por um processo de triagem. “Verificamos o perfil de cada um deles para ver se não vão causar problema”, revela. Bosquieiro também acha difícil acontecer alguma rebelião em Bauru. “Acredito que não vai dar nada de errado. Se algum preso novo apresentar problema, nós pedimos a transferência”, esclarece.

No Instituto Penal Agrícola (IPA), a lotação já excede os 700 presos da capacidade máxima. Estão cumprindo pena no local atualmente 850 homens. “Mas como é em regime semi-aberto, isso é perfeitamente administrável”, avalia Gilberto da Silva Oliveira, diretor do IPA.

Para ele, as atividades que os presos praticam, como teatro, alfabetização e laborterapia, ajudam a manter o clima calmo. “Nossas características tornam a situação tranqüila”, garante.