Conhecidos atualmente por seu trabalho no fanzine “10 Pãezinhos”, os irmãos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá tiveram seus traços publicados pela primeira vez em “Rolando”, lançada originalmente nos Estados Unidos em 1999. Escrita pelo americano Shane Amaya, a graphic novell chega agora às bancas brasileiras, em lançamento impecável da editora Via Lettera.
A trama é uma versão do épico medieval francês “A Canção de Rolando”, que narra o sacrifício de Hroulandus (Rolando), capitão do exército do conquistador Carlos Magno, em batalha nos campos entre a Espanha e a França, no ano de 778 d.C. A história sobreviveu 300 anos na tradição oral até ser transposta em uma das maiores canções medievais francesas, com data de 1095, porém com uma significativa alteração: nela, a derrota é ordenada por Deus, como um triunfo da morte.
Épico de heroísmo, traição, fé e vingança, “A Canção de Rolando” retrata uma equivocada manobra de Carlos Magno na tentativa de expandir ainda mais seu império. Quando o rei espanhol Marsilo falsamente oferece sua rendição em troca da saída das tropas francas do país, o imperador aceita e sofre uma emboscada nos desfiladeiros dos Pirineus. Seus bravos homens de retaguarda são acossados e mortos sem piedade alguma - e entre eles, estava o cavaleiro Rolando.
Amaya trabalha a trama de forma empolgante, menos dinâmica do que textos fáceis de outras HQs, mas ainda com capacidade para prender o leitor logo nas primeiras páginas. O destaque real é o traço de Moon e Bá. Mesmo que essa seja seu primeiro trabalho publicado - e os autores evoluíram bastante nos últimos anos -, a arte já se mostra dramática e exuberante, ainda que o estilo seja um pouco destoante entre cada capítulo. Ainda assim, nada que atrapalhe a grande leitura.
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Relançamento
Clássicos nunca perdem seu charme - e por isso o são. É o caso da série “Watchmen”, de Alan Moore e Dave Gibbons, lançada originalmente em 1985 pela DC Comics e que ganha reedição - pela terceira vez - no Brasil. Dessa vez, os doze números foram encardenados em quatro volumes, e o primeiro deles já ganhou as bancas.
Em meio à paranóia da Guerra Fria, a série retrata a realidade como se, de fato, os super-heróis e seus antagonistas fossem reais.
A história se passa em 1985, oito anos depois de o “trabalho” das pessoas com superpoderes ter sido tornado ilegal, em um ato político. A trama é guiada pelo diário de Rorschach, herói cujo nome remete ao teste psicológico representado por sua máscara. Com o assassinato de Comediante, um vigilante amoral que prestava serviços ao governo americano, descobre-se uma conspiração para matar os ex-heróis, agora aposentados.
Com sua visão sarcástica e inteligente, Moore desafiou o universo dos quadrinhos com “Wachmen”, em seus roteiros com profundidade psicológica nunca antes vista nos personagens, além das discussões morais e éticas que, em sua maioria, pulam das entrelinhas para o tema principal da série. Somente os desenhos de Gibbons parecem um pouco datados, mas sua arte ainda é vigorosa.