10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Frigoríficos reduzem abate de animais

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Os embargos comerciais impostos por vários países para a exportação de carne bovina dos Estados de Mato Grosso do Sul (MS), Paraná (PR) e São Paulo (SP), ocasionados pelos focos de febre aftosa encontrados em MS, estão resultando na redução do número de abates de animais em frigoríficos da região. É o caso do Mondelli (de Bauru) e do Bertin (Lins).

No Bertin, maior exportador de carne bovina e couro do País, a assessoria de imprensa informa que o grupo reduziu em 50% os abates nas unidades de Lins (SP) e Naviraí (MS), e que irá redirecionar parte de sua produção para os abatedouros de Votuporanga (SP), Ituiutaba (MG), Mozarlândia (GO), Itapetinga (BA) e Marabá (PA).

Somando as sete unidades do grupo, a média diária de abates é de 7 mil bovinos. Contudo, a assessoria não informou o número de abates realizados em cada unidade produtiva.

A perspectiva da empresa é destinar toda a produção de Naviraí para o mercado interno e, nos outros locais, aumentar a fabricação de produtos industrializados com valor agregado para o Exterior. No momento, não estão previstas medidas como férias coletivas nem demissões, segundo o grupo.

“O cenário para o setor ainda é muito incerto. Preferimos agir com cautela. Vamos analisar os movimentos do mercado, tomar todas as precauções possíveis, orientar e ajudar no que for necessário os nossos parceiros e clientes e esperar que tudo se normalize rapidamente”, diz o gerente de exportação do Grupo Bertin, Marco Bicchieri.

Para a empresa, ainda é prematuro falar em prejuízos pelo fato do grupo operar em sistema de verticalização de negócios e ter outros mercados potenciais. Colocado entre os 50 maiores grupos empresariais do País, o Bertin registrou faturamento de R$ 3,5 bilhões no ano passado.

No Frigorífico Mondelli, o executivo da empresa, Rubens Vicente, diz que o número de abates passou dos tradicionais 800 por dia para 600 - queda de 25%. Segundo ele, os principais motivos foram a diminuição da oferta de animais em função da alta dos preços - a arroba do boi está em torno de R$ 58,00 - e a redução das exportações geradas pelos embargos comerciais.

“Quase a totalidade dos animais abatidos por nós são do Estado de São Paulo. Na falta de animais dentro de São Paulo, nós recorremos a Goiás e, por fim, ao Paraná. Somente em última instância são acionados pecuaristas do Mato Grosso. Mas a redução da oferta de matéria-prima (bovinos) já vem ocorrendo há algum tempo e não tem relação com a aftosa. O motivo é a alta dos preços que estão sendo aplicados pelos pecuaristas. Então, as negociações estão mais difíceis”, explica Vicente.

Exportações

Segundo ele, nas exportações a dificuldade que o Mondelli está enfrentando tem sido em relação ao embargo da União Européia (25 países), que está entre os principais clientes do frigorífico no Exterior e que suspendeu a compra de carne dos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. A Rússia também figura entre os principais compradores de carne bovina do Mondelli, mas o embargo daquele país está restrito ao Mato Grosso do Sul.

A empresa exporta 1,7 mil toneladas de carne por mês, somando cerca de R$ 8 milhões. Desse total, 30% equivale às exportações para a comunidade européia. “Enquanto a Europa não decide se vai tirar o embargo do Estado de São Paulo, a equipe da área de exportações da empresa está buscando outros mercados da nossa lista geral (de clientes).”

Assim como o Bertin, o Frigorífico Mondelli ainda não fala em férias coletivas. Contudo, do total de 900 funcionários da empresa, 100 deles estão, no momento, usufruindo de férias vencidas.

No Frigol, em Lençóis Paulista, o diretor Djalma Gonzaga de Oliveira afirma que “o problema da aftosa no Mato Grosso do Sul não afetou a empresa em nada, por enquanto.” O frigorífico não adquire animais naquele Estado e o diretor garante que o nível de produção mantém-se igual.

“A entressafra do boi começa em setembro. Desde essa época o preço da arroba vem subindo, e em função disso, nós já começamos a direcionar a nossa produção para o mercado interno porque os preços lá fora não estavam atraentes. Então, (quando foram encontrados os focos de aftosa no MS) nós não tínhamos muitos contratos firmados para exportação, principalmente para a União Européia”, diz Oliveira.