09 de julho de 2026
Nacional

Oposição consegue ida de Delúbio a acareação com Valério e Jefferson

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A mobilização dos parlamentares da oposição fez com que a CPI do Mensalão aprovasse hoje a participação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares na acareação marcada para a próxima quinta-feira com o publicitário Marcos Valério de Souza.

O deputado federal cassado Roberto Jefferson (PTB), autor das denúncias do mensalão, também participará da confrontação. Será a primeira vez que Valério e Delúbio, apontados como os principais operadores do esquema ilegal de financiamento ao PT e a partidos da base aliada em troca de apoio ao governo no Congresso, o suposto “mensalão”, estarão juntos para responder sobre os repasses.

A acareação havia sido aprovada no início de outubro para confrontar as informações apresentadas por Marcos Valério e a a diretora financeira da empresa SMP&B, Simone Vasconcelos, que operava saques no Banco Rural, com as declarações de representantes de partidos que sacaram recursos no banco. A estratégia montada pelo relator da comissão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), é manter Delúbio, Marcos Valério e Simone lado a lado durante toda sessão, enquanto os outros convocados seriam chamados para uma confrontação individual com os três.

“Não ofereceremos ao país um espetáculo de debate entre os acareados”, afirmou Abi-Ackel, que quer evitar o que ocorreu na CPI dos Bingos, em que as intervenções e debates entre os acareados gerou confusão.

Além de Jefferson, estão convocados o presidente do PL, Waldemar Costa Neto, que renunciou ao mandato para evitar a cassação, Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL, Emerson Palmieri, tesoureiro informal do PTB, João Cláudio Genu, assessor da liderança do PP e Manoel Severino dos Santos, que arrecadou recursos para a campanha do PT no Rio de Janeiro.

Tanto Abi-Ackel quanto o presidente da comissão, senador Amir Lando (PMDB-RO), foram contrários à convocação de Delúbio, mas acabaram colocando em votação a proposta por insistência da oposição, que considerou Delúbio peça-chave para o esclarecimento do esquema. Alguns deputados chegaram a dizer que a ausência do ex-tesoureiro poria a perder todo o trabalho da comissão. No final de semana, Delúbio havia afirmado que em alguns anos as investigações seriam “piada de salão”.

“A convocação do senhor Delúbio Soares é desnecessária” disse o relator, afirmando que não permitirá que a CPI fique “à mercê da inventiva dos parlamentares” que desejam “ouvir quem já foi ouvido”.

Apesar de dizer que está organizando a conclusão dos trabalhos da comissão, Abi-Ackel afirmou que podem surgir mais nomes para serem ouvidos, em especial a partir do depoimento do ex-deputado Ronivon Santiago (PP-AC), acusado de receber dinheiro para votar a favor da emenda constitucional que permitiu a reeleição, em 1997.

A convocação deve levar os rumos da CPI para as investigações que atingem ao PSDB. O ex-deputado, que deveria ser ouvido hoje, apresentou atestado médico. A CPI definiu que ele será ouvido na próxima quarta-feira. O não-comparecimento de Ronivon irritou os parlamentares. “Eu não quero mais saber.

Ou vem, ou vamos mandar buscar”, ameaçou o presidente da comissão. Os parlamentares marcaram ainda para a sexta-feira da próxima semana o depoimento de Roberto Costa Pinho, ex-assessor do ministro Gilberto Gil, e que teria recebido R$ 100 mil sacados por Simone Vasconcelos no Banco Rural.