10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

E. E. Antônio Guedes de Azevedo, a minha escola


| Tempo de leitura: 2 min

No último sábado, 15/10, o JC publicou uma matéria muito bonita a respeito da E. E. Antônio Guedes de Azevedo, escola onde estudei da 5ª à 8ª série. Por isso utilizo pela primeira vez esta tribuna para expressar os pensamentos que me ocorreram ao ler a citada matéria. A Antônio Guedes é realmente uma escola pública diferenciada e desde que a conheci preza pela disciplina e pela qualidade de ensino. A equipe de professores e funcionários (os quais muito estimo, porém, pela escassez de espaço não os citarei aqui nominalmente), por muito tempo encabeçada pelo professor Jurandir, sempre se esforçou para semear cidadania nos alunos.

A Antônio Guedes ensinou-me que a escola pública não é necessariamente pior que os colégios particulares e que uma escola se faz com a união do corpo docente e discente, funcionários e comunidade, os quais trabalhando conjuntamente podem superar as limitações financeiras. Lá aprendi também que da organização da sociedade não depende apenas a melhoria das condições das escolas públicas, mas também a limpeza pública, a convivência harmoniosa entre os moradores da cidade, a preservação e restauração do meio ambiente, entre outras coisas.

Porém, seria falso afirmar que a Antônio Guedes não enfrenta problemas comuns às escolas públicas. Dois deles eu comento neste espaço, com o objetivo de fomentar a reflexão em todos aqueles que estão envolvidos com a escola pública no Brasil. O primeiro problema é a falta de participação da comunidade nas escolas, principalmente daqueles que são os mais beneficiados por ela, ou seja, os próprios alunos e seus familiares; com isso as escolas ficam limitadas ao repasse de verbas estatais, insuficientes para a melhoria do ensino. Será que já nos perguntamos quantos talentos artísticos e esportivos são desperdiçados porque as escolas públicas não oferecem condições para que o aluno os desenvolva?

Não seria bom se a comunidade se voluntariasse, participando de programas como o Escola da Família? O segundo problema, que muito me entristece, é o derrotismo que existe em muitos alunos, os quais sentem-se prejudicados por estudarem numa escola pública e abdicam de seus sonhos, por não se considerarem capazes de competir pelas melhores universidades e pelos melhores empregos com aqueles que estudam em colégios particulares. Rogo a esses alunos que nuncam desistam de seus sonhos e a seus pais e parentes, para que os incentivem a estudar e acreditar nas próprias capacidades. Hoje, sou estudante da Faculdade de Direito da USP e devido a um convênio entre a USP e o DAAD (Serviço de Intercâmbio Acadêmico Alemão) recebi uma bolsa de estudos e estudo por ano em Munique, na Alemanha, mas a minha escola sempre será a E. E. Antônio Guedes de Azevedo.

Octávio Santos Antunes - RG 33.808.305-4