08 de julho de 2026
Cultura

Meninos do pagode

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Neo-pagode, pagode universitário, nova onda do samba... Os nomes são muitos, mas a verdade é uma só: o som é o do pandeiro, repique, surdo e cavaco, misturado com muita animação, e quem defende o gênero é o Inimigos da HP, que faz show hoje à noite na Cervejaria dos Monges. Formado em 1999, o grupo conquistou o público teen, das faculdades e das baladas dos bairros paulistanos badalados e vem tomando também o Interior.

Sebá (vocais), Bruno (cavaco), Léo (banjo), Alemão (surdo), Tocha (rebolo), Cebola (pandeiro), Gui (repique de mão) e Bonilha (percussão geral) são filhos da classe média paulistana, com formação universitária e profissões que abandonaram pelo pagode. A idéia deu certo e a comprovação é o sucesso do projeto “E Quem Não Gosta do Inimigos...”, lançado em CD e DVD no ano passado.

É esse o show que eles trazem a Bauru, com todos os sucessos da banda, as releituras e a mistura de samba, axé e forró com cola de música pop. Leia a seguir os principais trechos da entrevista que o vocalista Sebá concedeu, por telefone, ao JC Cultura.

JC - É verdadeira a história de que parte da banda não sabia tocar nenhum instrumento?

Sebá - Eu já tinha participado de banda, tocava violão, o Léo tocava teclado, e o Bruninho também já tocava violão mas a galera da percussão não sabia nada. Quando resolvemos montar o grupo, fomos a uma loja e cada um escolheu seu instrumento para começar essa bagunça de tocar junto. Cada um começou a estudar mais, eles aprenderam a tocar e a coisa foi se encaixando.

JC - Um diferencial no grupo é o fato de todos serem de classe média e terem formação superior - normalmente um público distante de samba e pagode, e que agora é o público do Inimigos. Como vocês vêem essa aceitação?

Sebá - Eu acho que muita gente da classe média já conhecia pagode, mas a grande maioria não tinha muita noção das músicas e talvez até gostasse, mas tinha um pouco de preconceito. Por termos tido a oportunidade de estudar e fazer faculdade, de ser de classe média alta, essa galera começou a se identificar conosco. Até mesmo a galera teen se identifica e vai aos shows. Com certeza, a gente ajudou a levar o movimento do pagode para a classe média. Não vou dizer que nós somos os responsáveis, mas ajudamos que esse público aceitasse e conhecesse melhor o pagode.

JC - O grupo já sofreu preconceito do público de samba?

Sebá - De jeito nenhum. Desde quando começamos, sempre tocamos samba de raiz. Depois de lançar o CD pela gravadora, começamos a aparecer mais em rádio, TV, e fizemos muitos shows na periferia. No princípio, parece que tem uma desconfiança, mas conseguimos conquistar também essa galera. Atingimos a classe média, que tinha preconceito com pagode, e os pagodeiros, essa galera que tem o samba no sangue.

JC - O som do grupo é marcado pelas misturas, especialmente com axé e música pop. Quais são as principais influências?

Sebá - Cada um dos integrantes trouxe influências bastante diferentes. Dentro do nosso pagode, algumas músicas têm mais influência de pop, rock e até funk. É uma marca registrada do Inimigos, gostamos de trazer para o pagode outros elementos. Isso surge nos ensaios ou no próprio show, das brincadeiras que se encaixam legal. Depois, as idéias são aprimoradas.

JC - O projeto ao vivo tem quase um ano. Vocês já estão preparando algum novo lançamento?

Sebá - No primeiro semestre de 2006 já teremos gravado mais um CD e outro DVD, provavelmente. Já estamos compondo e recebendo músicas de outros compositores. Com certeza, deve ser gravado ao vivo de novo, mas queremos alguma coisa diferente, em um dia ou lugar especial. Ainda teremos releituras de algumas músicas, mas haverá mais inéditas. Cada vez mais, queremos ter músicas inéditas nos discos e deixar as covers de lado com o tempo.

• Serviço

Inimigos da HP na Cervejaria dos Monges (avenida Getúlio Vargas, 7-50), hoje a partir das 23h. Ingressos antecipados limitados a R$ 25,00 (estudante) e R$ 40,00, à venda no Barbaridade (Unip), Bar do Marcão, Atlética ITE, Atlética Unesp, Esquina do Herbie, Banana Games, Cel Center, Lavacar Aeroporto e no local. Mais informações: (14) 3234-7773.