Há cinco anos, a viagem por rodovia até os Lençóis Maranhenses era impraticável. Levava-se, no mínimo, 12 horas para atingir Barreirinhas, em estrada socolejante, sem qualquer infra-estrutura.
Hoje, em três horas, chega-se à base de apoio, ou seja, Barreirinhas, por uma rodovia que lembra a Marechal Rondon ou mesmo a Castelo Branco, com asfalto que parece um tapete. Com uma ressalva. Nela, não há postos de combustíveis de última geração, com playground para a criançada e banheiro espelhado.
Há apenas uma parada, simples, mas correta, para quem quer ir à toalete e tomar um café da manhã caseiro. Ou na volta uma cerveja gelada acompanhada de misto quente.
Tudo é muito barato na região. Por R$5,00 tem-se o direito a um café completo, com leite, café, pão, frutas, queijo e presunto. Se a meta for só comer um pãozinho com manteiga cheirosa, paga-se por unidade: R$1,00, apenas. O misto quente sai por R$ 2,00, mas não se esqueça que naquelas “plagas” ninguém nunca tem troco. Se você está viajando não vai querer regular. Vai?
Não deixe de se “abastecer” e “desabastecer” pelo caminho, pois depois da parada - geralmente depois de quase duas horas de viagem - a próxima só será na entrada no parque.
O Maranhão tem dado saltos em termos de turismo. Hoje, desde a contratação da agência de receptivo, tudo é perfeito, com roteiro pré-estabelecido, passeios contratados, direito a almoço ou não, com o cliente assinando recibo.
Um dia antes da viagem acertada, o cliente recebe telefonema confirmando-a e informando a hora exata que o motorista passará para apanhá-lo.
Esses, mesmo com um calorzão de 33ºC, comparecem na hora marcada, impecáveis, incluindo camisa de manga comprida e até gravata.
Além dos Lençóis, o Maranhão oferece viagem a Alcântara, onde ruínas, o pelourinho e a ex-base espacial são as maiores atrações (de barca) à Floresta dos Guarás, porta de entrada para a selva amazônica e a Chapada das Mesas, com cachoeiras de tirar o fôlego.
A Floresta dos Guarás é também uma das maiores florestas de manguezais do Brasil. Rota migratória de inúmeras aves, seus 12 mil quilômetros de extensão são tombados como área de proteção ambiental.
A floresta é cortada por centenas de canais navegáveis, que dão acesso à sua surpreendente biodiversidade e transportam os visitantes para dezenas de ilhas cercadas de mistérios, lendas e tradições.
É preciso tempo para conhecê-la, assim como a Chapada das Mesas, bem distante de São Luís, mais um daqueles segredos que só o Brasil guarda.
Cada cachoeira é mais linda que a outra. A vegetação é exuberante, e o relevo de chapadas vermelhas, além de formar uma belíssima paisagem, esconde pinturas rupestres de índios ancestrais.
Nomes sedutores para uma próxima temporada nesse Estado nordestino que foge do convencional e é realmente múltiplo.