08 de julho de 2026
Nacional

Suspeito de roubo do BC é assassinado

Por Alexandre Hisayasu | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - O corpo de Luiz Fernando de Vianna Salles, 26 anos, um dos suspeitos de participar do furto de R$ 164,8 milhões do Banco Central (BC) de Fortaleza, foi localizado pela Polícia Civil de São Paulo, ontem, em Camanducaia (MG).

Ele havia sido seqüestrado no dia 7 e, embora sua família afirme ter pago o resgate de R$ 2 milhões exigido pelos seqüestradores no dia nove, estava desaparecido. Salles, que é conhecido como Fernandinho ou Fê, foi localizado na manhã do dia nove, domingo, em um matagal da rodovia Fernão Dias, em Camanducaia, horas depois de, segundo a polícia, o resgate ser pago em um posto de gasolina da rodovia Raposo Tavares, em São Paulo. Parentes admitiram à polícia que o resgate foi pago com parte do dinheiro que ele recebeu por ter sido um dos mentores do furto, o maior já realizado no País.

Os R$ 2 milhões, assim como os outros R$ 18 milhões que, segundo a PF de Fortaleza, teria recebido, continuam desaparecidos. Um proprietário de um sítio na região de Camanducaia foi quem encontrou o corpo e avisou a Polícia Militar. Salles recebeu pelo menos cinco tiros na cabeça, um nas costas, estava algemado com as mãos para trás e apresentava hematomas no rosto. Ele não tinha documentos e estava no Instituto Médico Legal (IML) de Pouso Alegre, cidade vizinha, como indigente.

Após a divulgação do caso, a polícia local avisou a de São Paulo sobre a localização do corpo. Na tarde de ontem, foi reconhecido por familiares. O seqüestro passou a ser investigado após a Polícia Federal receber denúncia de que tinha sido seqüestrado por policiais do Departamento de Investigação Sobre o Crime Organizado (Deic).

Segundo o diretor do Deic, delegado Godofredo Bittencourt, o caso, seqüestro seguido de assassinato, continuará sendo investigado pela polícia de São Paulo. O delegado Rui Ferraz Fontes, do Deic, disse anteontem que Salles participou do planejamento do furto ao BC e financiou a ação dando R$ 300 mil para a quadrilha.

O rapaz é condenado por tráfico e estava foragido da Justiça. De acordo com a Polícia Federal, Salles teria recebido cerca de R$ 20 milhões da quadrilha. Ele e mais 17 pessoas estão indiciadas pela PF por participação no furto.

O delegado Fontes afirmou ainda que Salles é dono de vários pontos-de-venda de drogas no Capão Redondo (zona sul de São Paulo). Segundo ele, há suspeita de que ele pagaria uma mesada para a facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) para atuar na região. “Ele não pertence a liderança do PCC”, disse o delegado.

O seqüestro

O caso Na noite do dia 7, uma sexta-feira, Salles foi até um bar de classe média alta, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), acompanhado de 15 amigos divididos em 12 carros. Quando saiu de sua picape Montana blindada, foi rendido por dois homens, que o arrastaram pelo pescoço até outro veículo, e desapareceram.

“Das 15 pessoas, dez são procurados da Justiça e não puderam falar conosco para ajudar as investigações. Quem fez isso foram os outros cinco rapazes que não têm problemas com a polícia”, contou o delegado Fontes. Segundo o Deic, os seqüestradores ligaram para a família de Salles horas depois do seqüestro e exigiram resgate de R$ 2 milhões.

O pagamento ficou acertado para o dia seguinte. O advogado do rapaz, que não teve o nome revelado, foi quem levou o dinheiro até o local combinado, um posto de gasolina no km 12 da rodovia Raposo Tavares. Dois homens foram buscar o dinheiro, por volta da 1h. O pagamento foi filmado por câmeras do posto e as fitas estão com a polícia. Horas depois, como o rapaz não aparecia, o advogado ligou para os seqüestradores perguntando sobre o paradeiro de Salles.

Segundo a polícia, foi informado que ele só seria libertado após a contagem do dinheiro. O retrato falado de quatro suspeitos foi divulgado anteontem. A informação sobre o desaparecimento de Salles, ainda de acordo com a PF, foi recebida anonimamente por meio de um telefonema. Como envolvia policiais civis, foi repassada para a Corregedoria da Polícia Civil, que avisou a direção do Deic.

Segundo Fontes, a família do rapaz viu fotos de cerca de mil policiais de São Paulo e não reconheceu ninguém. O delegado afirmou que “praticamente” está descartada a participação de policiais do Deic no seqüestro. “Policiais não agiriam dessa maneira (agarrando a vítima pelo pescoço e arrastando-a até um veículo)”. Segundo o delegado, policiais seriam mais “discretos’’ e, caso quisessem extorquir dinheiro de Salles, não o teriam seqüestrado. Para Bittencourt, o crime será esclarecido em pouco tempo. “Os responsáveis serão presos. Seja quem for”, disse ele.