08 de julho de 2026
Auto Mercado

Comprar moto usada exige olho clínico

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Mais do que pesar os limites financeiros, comprar uma moto usada exige olho “clínico” para fugir das armadilhas que um veículo rodado pode esconder. Entretanto, pequenos cuidados antes da aquisição - muitos deles semelhantes aos necessários para adquirir um carro - são suficientes para se precaver das “motocicletasmico” e realizar o sonho de sair com a “cara ao vento”.

A regra número um para sair-se bem sucedido no negócio é efetuar uma inspeção visual detalhada. É o que recomenda Antônio Luiz Trefilio, instrutor de mecânica da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Assim como nos automóveis, o visual de uma moto conta muito na hora da venda, pois ele é um dos indicativos do seu estado de conservação”, ressalta.

Para começar, redobre a atenção SOBRE os pneus, componentes da relação - coroa, pinhão e corrente -, porcas, parafusos e escapamento. Sobre os pneus, analise o desgaste e veja se o seu estado bate com a quilometragem do hodômetro. “Geralmente, em motos pequenas, os traseiros, que se desgastam mais, duram entre 10 mil a 14 mil quilômetros, enquanto nas grandes duram entre 6 mil e 8 mil quilômetros. Só que pessoas desonestas fraudam os marcadores de quilometragem para dar a impressão que o veículo é mais novo. Por isso, é essencial conferir o hodômetro”, salienta.

O desgaste dos componentes da relação também deve ser alvo do olho “vivo” do comprador. “A pessoa deve observar, principalmente, os dentes da coroa. Um indício de que a relação já está bem usada e no final de sua vida útil é quando a roda traseira está bem para trás, na última regulagem existente”, orienta Trefilio.

Também é fundamental checar as condições visuais das porcas, parafusos e do motor em busca de pontos de ferrugens e de marcas de chaves. “As marcas denunciam motos que já foram demasiadamente mexidas, muitas vezes com chaves inadequadas”, explica Trefilio. “Já as oxidações, em muitos casos, originam-se de processos inadequados de lavagens. As motocicletas vêm com um banho protetor contra ferrugem em porcas, parafusos e no motor, que é facilmente eliminado quando se utiliza produtos químicos, como Solopan, na hora de lavar. É fácil notar isso, pois a moto perde o brilho e a vida”, acrescenta.

Mas os cuidados não param por aí. A palavra final para o “sim” ou “não” em fechar o negócio só deve ser dada após o interessado efetuar um teste dinâmico na moto pretendida. Na oportunidade, uma das principais preocupações deve ser com o alinhamento do quadro. “Se o piloto estiver andando, soltar o guidão e a moto pender para um dos lados, é sinal de desalinhamento, que é provocado somente por quedas ou acidentes”, esclarece o instrutor.

Outra recomendação de Trefilio é aguçar o ouvido para “caçar” sons ou barulhos anormais do motor. “Ouça primeiro o comportamento em marcha lenta, depois com o motor acelerado e ainda alternando entre a marcha lenta e acelerada. Em todas essas situações a moto não pode apresentar batidas ou ruídos”, alerta.

Por fim, o técnico adverte para os gases do escapamento. “Se estiver soltando fumaça, é sinal de danos internos no motor, que estará queimando óleo e precisará ser retificado. Outra boa maneira de saber é passando o dedo no escape, que é normal ter apenas uma fuligem seca, nunca oleosa”, conclui Trefilio.

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Dicas para o comprador

• Antes de comprar a moto, verifique o registro pelo número do Renavam. Com ele em mãos, você pode consultar a existência de multas e outras pendências em sites como o do Detran de São Paulo: www.detran.sp.gov.br.

• Evite comprar motos que não estejam no nome do vendedor

• Desconfie dos preços muito desproporcionais em relação aos de mercado, pois podem ser indícios de problemas ilícitos, como furtos ou roubos.

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Dicas para o vendedor

• Pela legislação, em caso de venda de um veículo, o proprietário antigo tem prazo de 30 dias para encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado uma cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente datado e preenchido, sem nenhum dos campos em branco, principalmente a assinatura do comprador.

• Quem não avisa o órgão de trânsito da venda corre o risco de ter de se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação, como ter de arcar com multas de infrações cometidas por outros condutores ou ter problemas se o veículo envolver-se em um acidente de trânsito.

• Para não entrar nessas “roubadas”, adote um hábito simples. Após dirigir-se ao cartório, juntamente com o comprador do automóvel, para efetuar o reconhecimento de firma do recibo da transferência, retire uma cópia autenticada do mesmo e vá à Ciretran comunicar a transação comercial.

• Ao chegar à Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) com a cópia autenticada do recibo, solicite um requerimento, preencha-o e protocole-o no setor responsável. A Ciretran localiza-se na rua Nicolas Moreno Munhoz, 2-50, no Jardim Contorno. O telefone é (14) 3281-4144.