10 de julho de 2026
Nacional

Paraná tem 4 suspeitas de foco de aftosa

Por Mari Tortato | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Curitiba - O governo do Paraná informou ontem que detectou em seu território quatro fazendas com suspeita de contaminação do gado pela febre aftosa.

Segundo o secretário da Agricultura do Estado, Orlando Pessuti, há 19 animais com sintomas da doença espalhados em propriedades do norte e do noroeste do Estado. Segundo ele, os sintomas apresentados pelos 19 animais com suspeita são os convencionais da aftosa: eles mancam, salivam em excesso e apresentam febre alta.

Questionado se achava que o foco de aftosa de Mato Grosso do Sul se alastrou para o Paraná, Pessuti não respondeu, mas fez um gesto de positivo com a cabeça. Um animal com suspeita é de uma propriedade de Maringá, três são de Loanda, outros três de Amaporã e 12 estão em uma fazenda de Grandes Rios (358 km a noroeste de Curitiba).

Pessuti e o diretor-geral da Seab, Newton Pohl Ribas, não divulgaram os nomes das fazendas. “Não vamos criar pânico. Não dou (os nomes) porque ainda é tudo suspeita”, disse Ribas. A confirmação para a aftosa deve ocorrer até terça-feira, quando o laboratório credenciado de Belém (PA) divulga o resultado das análises. O material foi enviado ontem para análise.

Segundo Pessuti, todos os animais suspeitos são de Eldorado, em Mato Grosso do Sul, cidade do primeiro foco da doença confirmado no Brasil, no dia 9. Eles participaram da exposição agropecuária Eurozebu, que aconteceu em Londrina (norte do Estado), de 1 a 9 deste mês.

No plantel exposto, 43 animais eram da região infectada de MS e vários foram vendidos a pecuaristas do Paraná, de outros Estados e até para fora do País. A feira é internacional. “Minha equipe técnica apurou que, dos bois com sintomas, todos são originários de propriedades do foco de MS. Eles chegaram a Londrina para a exposição em 24 de setembro.

No dia 10 de outubro, quando fomos informados do surto pelo Ministério da Agricultura, às 9h30, a maioria dos animais já tinha sido levada embora do parque de exposições”, disse. Pessuti disse ainda não poder dizer para que outros Estados os animais podem ter seguido. “Isso ainda estamos levantando com o leiloeiro.”

Segundo ele, o Paraná tomou as providências, com barreiras sanitárias para impedir a entrada da aftosa no Estado, tão logo o surto de Eldorado (MS) foi comunicado, mas disse que a informação chegou tarde para provocar uma interdição do gado exposto na Eurozebu.

A confirmação do surto, segundo o secretário paranaense, provocou a interdição de 40 propriedades que criam gado no Paraná. Um rastreamento sanitário mostrou que essas fazendas receberam gado de Mato Grosso do Sul nos últimos 60 dias. Elas foram interditadas por precaução. Dessa relação, fazem parte as quatro áreas com suspeita de aftosa.

Segundo relatório dos técnicos da Agricultura, foram 12 as proprietários do Estado que compraram gado na feira de Londrina. Em oito, porém, ainda não há sintoma algum da doença.

Pessuti afirma que os animais do próprio Paraná encontrados nessas fazendas foram submetidos a vacinação regular _que ocorre duas vezes ao ano no Estado. A próxima está programada para começar em 1º de novembro, mas pode ser antecipada. O Paraná faz fronteira com Mato Grosso do Sul. Está a 25 km de Eldorado - cidade do primeiro foco - e a 30 km do Paraguai, país por onde a doença teria entrado no Brasil. O Estado não registra um caso de febre aftosa há dez anos.

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Justiça suspende abate

Campo Grande - A Justiça sul-matogrossense concedeu liminar que suspende o abate de animais em uma fazenda do Mato Grosso do Sul que possui cabeças de gado contaminadas pela febre aftosa.

A Vara Única de Justiça de Eldorado (MS) atendeu pedido contra o abate de quase 4 mil animais apresentado por Lenice Magalhães Meda Turquino, proprietária da fazenda Jangada, em Eldorado, onde foram encontrados focos da doença. Para a Justiça, antes de abatê-los, a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) deverá verificar a existência da doença nos animais, comprovar a necessidade do sacrifício e indenizar previamente a proprietária.

Segundo ela, boa parte dos animais da Jangada não teriam sido contaminados e estão separados dos que contraíram a doença, inclusive por divisão de estradas. A proprietária da fazenda ainda pediu que fosse nomeado um veterinário judicial para vistoriar os animais e que a Iagro faça exames sorológicos em cada animal previamente.

A Justiça, entretanto, rejeitou o pedido de perícia judicial prévia, garantindo à proprietária o direito de acompanhar a avaliação que será feita pela Iagro. Em caso de descumprimento, a Justiça fixou multa correspondente ao dobro do valor dos animais abatidos.

O Ministério da Agricultura recomenda o abate dos animais de fazendas onde há febre aftosa porque a doença se dissemina rapidamente entre o gado. Essa seria, segundo o governo, a única forma de evitar que mais cabeças sejam contaminadas, aumentando ainda mais os prejuízos.

Ao menos 320 cabeças de gado foram sacrificadas na fazenda Jangada antes mesmo da confirmação do vírus. A propriedade está próxima da fazenda Vezozzo, também em Eldorado, onde foi encontrado o primeiro foco da doença. Até o momento o governo decidiu sacrificar mais de 5.000 bois e interditou sete municípios do sul de Mato Grosso do Sul como forma de conter o avanço da aftosa.

Folhapress