08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A ITE, o referendo e o ‘sim’


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No referendo de amanhã, que vai decidir se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil, voto sim. A nossa sociedade está mergulhada numa verdadeira paranóia no tocante à criminalidade. Portanto, acha que transformando o nosso meio social num genérico de faroeste iremos resolver a situação. Aliás, torna-se gravíssimo e uma verdadeira barbárie política quando os civis comuns não acreditam mais e passam a abolir a presença do Estado.

A Instituição Toledo de Ensino (ITE), na qual curso o direito noturno, colaborando com a cidadania, patrocinou o debate entre as frentes do sim e do não, cujos palestrantes debatedores foram os deputados Luis Antônio Fleury e Jamil Murad. Na verdade, o debate se transformou num verdadeiro massacre e por mais que eu respeite o deputado Jamil Murad do PCdoB, por ser um valoroso soldado da cidadania e dos direitos humanos, foi público e notório que o mesmo não estava preparado tecnicamente para enfrentar o deputado Luis Antônio Fleury, do PTB, que foi ex-secretário da segurança pública do Estado de São Paulo, governador e é especialista em armamento.

Se o oponente do deputado Fleury que defende o não fosse o coronel da Polícia Militar, Ruy César Melo, que estava presente no debate na ITE representando o “Movimento em Defesa da Paz”, com certeza, o público e a maioria dos estudantes ali presentes teriam informações concretas e reais do movimento ou frente do sim. Mas a fraca performance do deputado Jamil Murad do PCdoB fez muitos indecisos optarem pelo não. E até aqueles decididos pelo sim, percebi que ficaram em dúvida e podem engrossar a fileira do não amanhã.

Particularmente, voto no sim pelos seguintes motivos: 1.º - Armas foram feitas para matar. 2.º - Ter armas aumenta o risco, não a proteção. 3.º - Armas de fogo transformam desavenças banais em tragédias. 4.º - Controlar as armas legais ajuda na luta contra o crime. 5.º - As leis de controle de armas ajudam a diminuir o risco para todos. 6.º - O número de mortos por armas caiu 8,2% com a campanha do desarmamento. 7.º - Está comprovado que os criminosos obtêm armas quando assaltam uma pessoa armada. 8.º - Quem tem que nos proteger é o Estado, caso contrário não precisaríamos pagar impostos.

Olha, um País que ostenta quadro social degradante tem que pensar em distribuir renda e não em se armar. Na verdade, o Estado apenas materializa o que nós pensamos, somos e fazemos. Se o Estado não resolve os problemas sociais e cruciais da nossa Nação é porque ele representa uma sociedade cuja maioria dos seus setores só pensa no próprio umbigo e coloca a coletividade na lata do lixo da insensibilidade humana. E depois esta mesma sociedade começa a se desesperar quando as cobaias humanas da exclusão começam a se revoltar contra a injustiça social. Ora contra as pessoas de bem, ora contra eles próprios.

Pedro Valentim