08 de julho de 2026
Politicando

" Não o conheço"


| Tempo de leitura: 1 min

Candidato a presidente da República, Jânio convidou o então deputado Virgílio Távora, depois governador do Ceará, para coordenador da campanha. Roteiro, viagens, horários, visitas, encontros, Virgílio controlava tudo com a mão de ferro.

Quando queriam que Jânio alterasse o programa em alguma coisa, ele se defendia:

- Não posso. O coronelzinho não deixa.

- Que coronelzinho?

- O Vírgilio. E eu tenho que obedecer, senão ele me abandona.

Quando Jânio chegou ao Ceará, pediu a Adail Barreto, deputado da “bossa nova” da UDN, para acertar um encontro com o PTB de lá. E foi direto ao assunto:

- Meus amigos, sou um de vós. O apoio da UDN, do PDC, do PL, tudo isso é conseqüência da força popular que me empurra para a vitória. Mas o que sou mesmo, de coração, é deputado pelo glorioso Partido Trabalhista do Paraná.

- Mas governador, aqui no Ceará é muito difícil nosso apoio à sua candidatura, porque o senhor desceu ontem aqui acompanhado pelo nosso maior adversário na política estadual, Virgílio Távora.

- Virgílio Távora? Não o conheço. Não sei quem é.

- Ele veio com o senhor, governador. No avião. Chefe da UDN.

- Ah, já sei, já sei. É um baixinho de óculos?

- Sim governador.

- Eu o vi. Mas não sei bem de quem se trata. Juro que não sei...

Do livro Folclore Político, de Sebastião Nery