Candidato a presidente da República, Jânio convidou o então deputado Virgílio Távora, depois governador do Ceará, para coordenador da campanha. Roteiro, viagens, horários, visitas, encontros, Virgílio controlava tudo com a mão de ferro.
Quando queriam que Jânio alterasse o programa em alguma coisa, ele se defendia:
- Não posso. O coronelzinho não deixa.
- Que coronelzinho?
- O Vírgilio. E eu tenho que obedecer, senão ele me abandona.
Quando Jânio chegou ao Ceará, pediu a Adail Barreto, deputado da “bossa nova” da UDN, para acertar um encontro com o PTB de lá. E foi direto ao assunto:
- Meus amigos, sou um de vós. O apoio da UDN, do PDC, do PL, tudo isso é conseqüência da força popular que me empurra para a vitória. Mas o que sou mesmo, de coração, é deputado pelo glorioso Partido Trabalhista do Paraná.
- Mas governador, aqui no Ceará é muito difícil nosso apoio à sua candidatura, porque o senhor desceu ontem aqui acompanhado pelo nosso maior adversário na política estadual, Virgílio Távora.
- Virgílio Távora? Não o conheço. Não sei quem é.
- Ele veio com o senhor, governador. No avião. Chefe da UDN.
- Ah, já sei, já sei. É um baixinho de óculos?
- Sim governador.
- Eu o vi. Mas não sei bem de quem se trata. Juro que não sei...
Do livro Folclore Político, de Sebastião Nery