07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• Dia de referendo

O País pára hoje para participar do referendo sobre a proibição da venda de armas. Trata-se de uma proposição polêmica desde o princípio, mas que deve ser encarada pelos eleitores como uma responsabilidade a ser assumida, seja lá qual for o número que se vá apertar na urna eletrônica. A vida democrática pressupõe participação e vontade da maioria.

• Um olhar mundial

A confusão do “sim” pelo não e do “não” pelo sim foi comentada ontem até pelo influente jornal britânico “Financial Times”. Para o matutino inglês, houve um claro erro na pergunta que é formulada aos eleitores. Já um outro forte jornal daquele país - o “The Times” - saiu com esta manchete na edição de ontem: “Brasileiros mantêm as suas armas”.

• Consulta inédita

Em Bauru, mais de 200 mil eleitores (exatamente 220.518) estão aptos ao voto. Não há previsão oficial de abstenção, mas é evidente que esta consulta não desperta a mesma paixão e interesse do que uma eleição para cargos políticos. Para quem gosta de detalhes, nunca nenhum país no mundo fez esta pergunta à população.

• Líder de si próprio

Por falar em ineditismo, nunca um prefeito deve ter visitado tanto a Câmara Municipal em seu primeiro ano de governo como Tuga Angerami (PDT). Foram mais de dez as idas dele ao encontro dos vereadores nos dez primeiros meses de administração. Isso apenas confirma a tendência que se vislumbrou no início do governo: o prefeito é seu próprio líder no Legislativo.

• Mensagem captada

A estratégia tem surtido efeitos interessantes ao governo municipal, uma vez que a população parece ter captado as mensagens que tais atitudes de Tuga procuram emitir, ou seja, as de que há sintonia entre os poderes. Para isso, o prefeito conta com a ajuda essencial do presidente do Legislativo, Toninho Garmes (PSDB).

• Cobranças à vista

Além do marketing, Tuga tem colhido ao menos uma relativa compreensão dos vereadores em relação a suas dificuldades neste primeiro ano. A tendência é a de as cobranças voltarem ao centro do debate Legislativo x Executivo a partir do ano que vem. Mesmo que não fosse ano eleitoral. Elas serão mais ou menos aplacadas, dependendo da capacidade de realização do governo.

• Carta de intenções

Isso vale também para a média da opinião pública bauruense, que tem aprovado a carta de intenções elaborada ao longo deste 2005, mas que espera bons resultados e soluções criativas e, quem sabe, duras, a partir de 2006. Tuga sabe disso e por isso às vezes le-va a mão à cabeça quando um ou outro projeto emperra.

• Falta um gabinete

Um problema que ainda persiste, ao menos para a praxis comum de governos, é a falta de uma equipe politicamente preparada no Gabinete das Cerejeiras para discussão de estratégias e relacionamento com os demais setores da política e da sociedade em geral. O próprio prefeito tem se esforçado para isso, como o faz em relação à Câmara. Mas é um esforço hercúleo, que certamente poderia ser dividido.

• Definição de Tuga

Sobre seu relacionamento com a Câmara, Tuga assim definiu: “É algo muito natural e que se tornou parte de minha prática. Como prefeito, na primeira gestão, já fiz isso e, como deputado, me ressenti por não ter visto esse tipo de comportamento”.