Taubaté - O diretor da extinta Casa de Detenção (zona norte de São Paulo), durante o “massacre do Carandiru”, José Ismael Pedrosa, foi assassinado na tarde de ontem, em Taubaté (130 km de São Paulo). Pedrosa morreu por volta das 17h, logo após votar no referendo. Um Fox prata com quatro ocupantes parou ao lado do seu carro no trânsito, e os assassinos começaram a atirar. Ele foi alvejado por seis balas e morreu na hora.
A Secretaria da Segurança Pública não fez comentários sobre o caso. Em nota, informou apenas que “a polícia investiga todas as hipóteses sobre o motivo do crime”. Até as 19h30 de ontem, ninguém foi preso.
Segundo investigações da polícia, Pedrosa tinha muitos inimigos na população carcerária por causa do rigor com que dirigia penitenciárias. Durante o massacre do Carandiru, 111 presos foram mortos pela polícia, após uma rebelião, em outubro de 1992, quando ele estava na direção.
O episódio ganhou destaque mundial, e o coronel Ubiratan Guimarães, hoje deputado estadual, foi condenado pela Justiça a 632 anos de prisão. Ele recorreu da decisão e aguarda novo julgamento em liberdade.
Transferido para Taubaté, na direção da Casa de Custódia, Pedrosa presenciou, segundo investigações da própria polícia, o nascimento da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), em agosto de 1993, que reivindicava o fim da linha dura e maus-tratos contra os presos e a desativação da Casa de Custódia, considerada a primeira penitenciária de segurança máxima de São Paulo com regime disciplinar diferenciado, onde o preso fica isolado em uma cela por até 22h por dia, sem visita íntima e sem acesso a jornais e TV.
Para a polícia, o diretor era considerado alvo de possíveis atentados do PCC.