09 de julho de 2026
Política

Urnas quebradas atrasam votação

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

Milhares de eleitores de Bauru aproveitaram o período da manhã para decidir no voto se o comércio de armas de fogo e munição deveria ou não ser proibido no País. Logo no início do referendo, às 8h de ontem, urnas eletrônicas das seções eleitorais da 23ª zona eleitoral de Bauru apresentaram problema. A urna da 238ª seção, localizada na Escola Estadual (EE) Stela Machado, na Vila Pacífico, teve de ser substituída. Em outra seção, a de número 26 da EE Rodrigues de Abreu, a máquina apresentou falha operacional atrasando o início da votação em cerca de 40 minutos. No Centro de Atividades (CAT) do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), o equipamento da seção 59 colocou o juiz João Thomaz Dias Parra, da 23ª zona eleitoral de Bauru, em alerta. Ele foi notificado que a urna estava molhada, em função de uma goteira no teto da sala, quando a equipe chegou para iniciar os trabalhos da seção. Como o equipamento funcionou normalmente, não houve necessidade de reposição.

Mesmo com os contratempos em duas seções, Parra avaliou que o período da manhã, principalmente a primeira hora de votação do referendo, foi tranqüilo, sem grandes filas nos locais de votação. “É muito rápido (votar) e nas escolas em que estive não havia fila, ao contrário do que ocorreu em anos anteriores. Acredito que seja em função do eleitor estar se conscientizando de que a votação nas primeiras horas da manhã é sujeita a um certo congestionamento porque a maioria prefere votar de manhã e ficar livre do encargo”, projeta.

Conforme o juiz, o equipamento da seção 238, no Stela Machado, apresentou defeito na bateria interna. Mesmo com a troca da bateria, a urna não funcionou e foi substituída. “Lá a votação transcorre normalmente”, acrescentou. Parra considerou normal o número de problemas com as urnas, mesmo o equipamento sendo de 1998. A cidade possui 473 urnas eletrônicas distribuídas nas respectivas seções eleitorais. “Equipamento eletrônico apresenta problema sem dar aviso. Os testes foram realizados ontem (anteontem), mas hoje uma ou outra pode apresentar problema sem nenhuma possibilidade de se prever o defeito”, avaliou.

No referendo de ontem votaram apenas pessoas que tiraram o título de eleitor antes de 23 de julho deste ano. Quem solicitou o documento posteriormente só estará habilitado para votação nas eleições de 2006. Houve casos de pessoas com protocolo que procuraram sua seção eleitoral, mas não encontraram seu nome na lista de votação.

“Chiadeira”

Muitos eleitores entre os 220.518 aptos a votar no referendo em Bauru se arrependeram de seguir recomendação feita anteontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de ir às urnas logo pela manhã, período tradicionalmente de menor movimento e, portanto, sem fila. O maior coro de descontentes estava na fila formada na porta da 26ª seção da 23ª zona eleitoral de Bauru, instalada na EE Rodrigues de Abreu. A dificuldade na operação da urna eletrônica, impedindo a votação, gerou irritação nas 17 pessoas em pé na fila, a maioria esperando desde às 8h. Quase uma hora depois do início da votação na cidade, os impacientes eleitores da 26ª começaram a adentrar um a um na sala de votação.

O chefe do cartório eleitoral da 23ª zona eleitoral de Bauru, José Carlos Colhado, explicou que não houve a necessidade de troca da urna eletrônica, bastando um ajuste no manuseio do equipamento pelos mesários. Iniciada a votação na seção eleitoral, ainda assim o chefe do cartório e o juiz eleitoral João Thomaz Dias Parra monitoraram o voto dos primeiros dez eleitores e concluíram que o problema estava sanado.

Porém a eleitora Laura Paiva Martins estava insatisfeita por não conseguir votar logo às 8h como o planejado. Mesmo sendo a primeira da fila na 26ª seção viu seus planos de votar nos primeiros instantes do referendo prejudicados por problemas com a operação da urna eletrônica. “Minha mãe tem mal de Parkinson e tenho que votar e ir dar banho nela, cuidar dela e cuidar da casa”, reclamou.

A auxiliar de enfermagem Lucinia Cursino da Silva chegou às 8h10 no Rodrigues de Abreu, mas teve de enfrentar fila durante algum tempo até poder votar. “Você já vem de manhã para ficar livre e ter que aguardar é horrível ”, definiu. Mais paciente do que Lucinia, José Takigame, 79 anos, aguardou meia hora na fila - votou às 9h - sua vez para assinalar seu voto. “Vim achando que logo iria embora, mas fiquei parado lá”, lamentou.

Macbeth Ladeira, 89 anos, chegou às 9h10 acreditando que não encontraria fila, porém não se incomodou em aguardar alguns instantes para votar. Ele é contrário ao referendo por entender que o gasto gerado não compensa. Segundo cálculos anunciados, a votação sobre a proibição de venda de armas e munições consumiria R$ 270 milhões, quase a metade dos R$ 530 milhões investidos nas eleições municipais de 2004. “Não havia necessidade de gastar tanto dinheiro porque também a situação financeira do País não está boa”, argumenta.

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Justificativa

A elaboração da justificativa eleitoral pelos eleitores que estavam fora do domicílio eleitoral também foi intensa ontem pela manhã nos pontos de votação de Bauru. O movimento nos balcões de justificativa foi intenso na Escola Estadual Ernesto Monte. O engenheiro técnico Francisco Amaro de Lima Filho aproveitou o período da manhã para justificar seu voto. Ele explicou que foi obrigado por compromisso de trabalho a se ausentar de Osasco (SP), seu domicílio eleitoral, viajando a Bauru para instalar novos equipamentos em uma empresa.

Para os eleitores que não votaram por motivo de saúde, o juiz João Thomaz Dias Parra, da 23.ª zona eleitoral de Bauru, alerta para que não percam o prazo de 60 dias - até o dia 22 de dezembro - para apresentar sua justificativa. Conforme Parra, a justificativa do eleitor que estava impossibilitado de comparecer à seção ontem tem que ser documentada. Ele acrescenta que a pessoa pode apresentar atestado médico, declaração de internação hospitalar fornecida por hospital ou documento que ateste sua ausência no referendo.

Parra lembra que, mesmo apresentando a justificativa, caberá ao juiz eleitoral acatar ou rejeitar a argumentação. Sendo negada a justificativa, o juiz eleitoral diz que será fixada pela Justiça Eleitoral uma multa em Unidades Fiscais de Referência (Ufirs). Se não for feita a justificação ou paga a multa, o eleitor não poderá obter Certidão de Quitação Eleitoral, estando em situação irregular com a Justiça Eleitoral. O juiz eleitoral ressalta que hoje para tirar o CPF é necessário a apresentação do título de eleitor. O título eleitoral também é fundamental para prestar concursos públicos, participar de concorrências públicas, para tirar passaporte e para inscrição em curso universitário, entre outras coisas.