São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem a empresários reunidos em um almoço, em São Paulo, que “não há razão para reclamar” e desafiou os presentes a fazerem um levantamento dos últimos 30 anos sobre o desempenho da economia para aferir que o País “nunca esteve tão bem”. Após enumerar os avanços no setor, como crescimento da poupança externa, aumento das exportações e da importação de bens de capital e disponibilidade de crédito, entre outros, Lula disse: “Acho que não temos razão para reclamar; temos razão, sim, para exigir cada vez mais porque é com muita exigência que este Brasil pode dar certo”.
Ao responder ao presidente da Nivea no Brasil, Paulo Zotollo, que queria saber como Lula gostaria de ser lembrado após concluir o mandato, o presidente primeiro lembrou seu discurso de posse, em 1 de janeiro de 2003, quando afirmou que, se ao final do mandato, todos os brasileiros estiverem fazendo três refeições diárias, ele estará satisfeito.
Depois, mesmo sem falar sobre reeleição, convocou os empresários a uma análise. “Quando eu terminar meu mandato, gostaria que vocês, empresários, fizessem uma medição do que aconteceu nos últimos 30 anos na economia brasileira e fizessem um estudo comparativo (para saber) em que momento nós estivemos melhor, tivemos mais solidez, mais credibilidade e as coisas andaram muito melhor para o Brasil”, sugeriu.
“É assim que eu quero que a sociedade veja: analise corretamente, pense, porque eu acho que o que nós estamos fazendo pelo Brasil é uma coisa que deveria ter sido feita há 30 anos”, afirmou. E finalizou: “Nós estamos garantindo que o Brasil tenha a primeira grande oportunidade de ter um ciclo de desenvolvimento sustentável sem que o governo permita que, por causa de um processo eleitoral, a gente faça a estupidez ou tente fazer mágica com a economia brasileira.”
O almoço de ontem foi promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) com o objetivo de discutir a educação no País e a participação da sociedade na melhoria do ensino público. A imprensa ficou no mezanino durante o almoço de Lula e convidados.
Quando os jornalistas foram autorizados a voltar ao local do evento, Lula fez seu discurso, enumerando as ações de seu governo na área da educação. Recebeu aplausos tímidos. Pelo acerto entre o Lide e o Planalto, os empresários fizeram apenas três. Nenhum deles abordou a crise política, a expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares ou o financiamento de campanhas.
O único senão foi o questionamento do presidente da Phillips do Brasil, Marcos Magalhães. Ele lembrou que Lula tem afirmado que a educação é uma de suas prioridades, mas, em menos de três anos, já mudou três vezes de ministro da Educação. Lula argumentou que trocou apenas uma vez. Quando assumiu a Presidência, Lula nomeou Cristovam Buarque para ministro. Depois, demitiu-o por telefone para abrir espaço para aliados. Com a crise envolvendo o PT, Lula mudou de ministro da Educação mais uma vez: pediu para Tarso Genro assumir a presidência do partido e colocou Haddad em seu lugar.
____________________
Gastos com Fome Zero
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem, durante o programa de rádio “Café com o Presidente”, transmitido pela Radiobrás, um balanço das atividades do programa Bolsa Família. Ele disse que a meta é atender 8,7 milhões de famílias até o final do ano.
“Nós já chegamos a 100% dos municípios brasileiros. Estamos atendendo, em outubro, oito milhões de famílias e estamos, com esse programa, comprometidos a chegar dia 31 de dezembro com 8,7 milhões de famílias sendo atendidas”, afirmou.
O presidente lembrou que o Bolsa Família faz parte do programa Fome Zero, que em dois anos, segundo ele, recebeu investimentos de R$ 27 bilhões. O programa integra ações federais, além de Estados, municípios e sociedade civil. “O povo brasileiro tem consciência de que através do Bolsa Família estamos permitindo que pessoas que não tinham acesso a nada agora comecem a ter acesso àquilo que é básico para a sobrevivência da família brasileira’’, afirmou.
Lula disse ainda que o programa, além de permitir o acesso ao alimento, garante a freqüência das crianças à escola e o acompanhamento médico de mães e gestantes. E destacou o sucesso do programa: “Certamente é um programa exitoso e será mais exitoso ainda quando estiver sendo utilizado por outros países, sendo colocado em prática. E que a gente possa, finalmente, garantir que todo ser humano está, no mínimo, tendo três refeições por dia”.
O presidente Lula disse que o Bolsa Família é um programa que reconhece a mulher. “O dinheiro vai de forma prioritária para a mãe. Eu penso que não existe ninguém na face da Terra, nem governo, nem Justiça que possa cuidar melhor dos filhos do que uma mãe.” Lula destacou que, além do Bolsa Família, o programa de Agricultura Familiar também merece destaque. O governo vai destinar, para financiamento da safra 2005/2006, R$ 9 bilhões.
No programa de aquisição de alimentos da Agricultura Familiar foram feitos investimentos de R$ 461 milhões. “Na verdade, nós garantimos ao pequeno produtor que, se ele produzir e o preço no mercado estiver muito barato, o governo compra, para que a pessoa não sofra o prejuízo.”
Folhapress