Compareci, domingo último, em meu domicílio eleitoral para expressar minha vontade num referendo popular. Dentre muitas lições que tirei deste exercício de cidadania, duas delas ficarão sempre comigo. Votei pelo “sim” por convicções pessoais, porém, a certeza de que o “sim” venceria facilmente deu lugar à certeza da vitória do “não”, após a esclarecedora campanha pela mídia. Defendia o “sim” por não enxergar razões para se votar “não”, porém, após algum tempo de campanha, reconheci, apesar de não mudar meu voto, muitas boas ou talvez melhores razões para se votar “não”. Ficou evidente que a maioria da população não gosta de armas, de violência, mas não abre mão do direito de ter uma arma para se proteger, e ainda, entre ter uma arma em casa para a sua proteção e recorrer a uma instituição como a polícia, ele se sente mais seguro com a primeira opção, mesmo com o forte argumento dos especialistas de que ter uma arma em casa para proteção lhe dará uma falsa segurança.
A segunda lição e talvez a principal seja o prazer que tive em votar no referendo, e o que possa ter despertado nos brasileiros. Para mim não houve perdedores, como numa eleição para políticos, pois o fato de prevalecer a vontade popular num tema específico, supre a figura do derrotado, tornando a opção vencedora em lei, no sentido figurativo da vontade popular. Então por que não exercitarmos mais vezes esta consulta popular. Por que não termos referendo todos os anos? Poderíamos decidir sobre voto distrital, salários e número de deputados e vereadores, maioridade penal, redução de impostos, imunidade parlamentar, prisão perpétua, reeleição presidencial e todo tipo de temas relevantes para a população. Quero que esses assuntos relevantes sejam decididos pelo voto popular. Aprendi na escola que elegendo-se um deputado, ele será meu representante no Congresso Nacional, que será minha “voz”. Isso é conversa para boi dormir. Na maioria das vezes fico “mudo” frente às investidas e favores dos lobistas. Que possamos nos fazer ouvir de uma forma definitiva, cortem pela metade o número de deputados, cortem o orçamento do Congresso Nacional e apliquem todo esse dinheiro em referendos. Eles sairão mais barato, mais rápido e muito mais legítimos. Viva o referendo! Eu Já tirei minhas lições. Que cada um tire a sua.
Vifrano Macário Gazoli - RG 15.246.755