10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Vacinação contra aftosa é antecipada

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O governo do Estado de São Paulo está antecipando para hoje o início da segunda etapa de vacinação contra febre aftosa, que deveria começar no dia 1 de novembro. O final da campanha está mantido para o dia 30 do próximo mês. A decisão foi tomada em função dos casos de febre aftosa registrados em fazendas do Mato Grosso do Sul (MS) no início deste mês. Em Bauru, as lojas já estão preparadas para a comercialização da vacina, que fica liberada a partir de hoje.

A portaria que autoriza a antecipação da campanha de vacinação sai publicada no Diário Oficial do Estado de hoje, bem como a portaria que proíbe a participação e concentração de animais suscetíveis à doença em feiras, leilões e rodeios em todo o Estado. Há cerca de dez anos, São Paulo, que responde por 70% das exportações de carne bovina do País, não registra nenhum foco de febre aftosa.

Desde o ano 2000, o Estado é reconhecido como livre de aftosa pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), mas os técnicos da Defesa Agropecuária estão sempre em alerta. Segundo o diretor do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, Mauro Braga Mello, ao longo do ano as propriedades rurais são monitoradas regularmente.

“O monitoramento consiste em fazer exames clínicos para verificar se o gado apresenta sintomas de febre aftosa ou de alguma outra doença, como brucelose. O rastreamento é constante e as visitas às propriedades são realizadas sempre que a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (localizada em Campinas) solicita”, afirma.

Este monitoramento é o mesmo que está sendo realizado por técnicos do EDA em uma propriedade rural de Bauru que comprou alguns bovinos em uma fazenda do Paraná, Estado que faz divisa com o Mato Grosso do Sul, onde milhares de animais já foram sacrificados por estarem infectados pelo vírus da aftosa. A doença atinge todos os animais de casco fendido, como bovinos, bubalinos, ovinos, suínos e caprinos, sem afetar seres humanos.

“O monitoramento nessa fazenda de Bauru é somente uma questão de praxe e de prevenção. Os bois trazidos do Paraná foram adquiridos antes do surgimento dos focos de aftosa no Mato Grosso do Sul. Além disso, hoje (ontem) fizemos testes clínicos em todos os animais e nenhum apresentou sintomas da doença. Nem estamos considerando este caso como interdição, mas o monitoramento vai continuar sendo feito nos próximos dias”, observa Mello.

Ontem, fiscais da Defesa Agropecuária começaram a interditar 31 propriedades rurais em 24 municípios do Estado que receberam 1.660 animais provenientes do Paraná, entre bovinos, suínos, ovinos e caprinos. Até o final da tarde, não havia sido encontrado nenhum animal com os sintomas da aftosa. Contudo, o preço da arroba do boi gordo caiu a R$ 51,00 em São Paulo.

Também ontem, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, descartou a possibilidade de haver focos de febre aftosa no Estado de São Paulo. “Em São Paulo, é zero de sintomas”, disse, descartando também o risco do vírus estar incubado.

De acordo com o diretor do EDA de Bauru, os sintomas da febre aftosa se manifestam nos animais dentro de sete a 15 dias após a contaminação. Na primeira etapa da campanha de vacinação contra a doença neste ano, realizada em maio, a cobertura vacinal na região abrangida pelo escritório (15 municípios) foi de 99,75%. Nesta segunda etapa, Mello espera que a marca de 100% seja alcançada.