A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo lançou ontem um conjunto de ações preventivas contra a gripe aviária que atinge a Ásia e a Europa Oriental apesar de ainda não haver casos da doença no Brasil. O vírus, que atinge aves, pode sofrer mutações e infectar humanos. Toda vigilância epidemiológica estadual está em alerta para conter eventuais contaminações e foi iniciado um esquema de capacitação e orientação de profissionais de saúde nos 645 municípios paulistas. Também estão sendo definidos os hospitais para tratar eventuais pacientes da doença.
Se surgirem casos da gripe no Estado, o Hospital Estadual de Bauru poderá ser uma unidade de referência para tratamento, como ocorreu em 2003, quando foram detectados casos suspeitos de pneumonia atípica (Sars) no Estado de São Paulo. A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Estado divulgou, ontem, que serão oito novas unidades de saúde de referência, denominadas Unidades Sentinela, em todo Estado para prevenção da gripe aviária.
O Hospital Estadual já integra a Rede Sentinela da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas até ontem à tarde ainda não constava da lista da Secretaria de Saúde para integrar o programa. Estas unidades de saúde serão responsáveis pela identificação e comunicação de novos tipos de gripe em circulação detectados pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A Secretaria de Saúde pretende ainda expandir, em 2006, a vacinação dos paulistas contra o vírus Influenza, causador da gripe aviária.
A Secretaria de Saúde informa que as medidas visam a prevenção e que, no Brasil, não há casos da gripe aviária registrados nem em animais “Não há qualquer motivo para pânico. O Estado de São Paulo está apenas adotando medidas cautelares para garantir segurança e tranqüilizar a população”, afirma o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Luiz Roberto Barradas Barata, através de sua assessoria de imprensa.
O médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa explica que a prevenção e as medidas tomadas pela Secretaria de Saúde são importantes para minimizar problemas caso o vírus chegue ao País, hipótese que ele não descarta. “Apesar de a possibilidade ser pequena, como a doença é transmitida principalmente por aves migratórias, não é impossível que haja contaminação no País. De qualquer maneira, as ações preventivas são essenciais para mostrar que o Brasil está atento e precavido”, ressalta.
O projeto prevê também a intensificação da vigilância em aeroportos, portos e fronteiras terrestres do País para identificar pessoas com sintomas semelhantes ao vírus da gripe aviária e encaminhá-las para atendimento médico especializado, uma vez que já foram confirmadas mortes humanas causadas pelo vírus. O Ministério da Saúde da Indonésia confirmou a quarta morte causada pela gripe aviária no país.