Galhos de árvores, pedaços de madeira, pneus inservíveis, móveis velhos já sem condições de uso, entre outros materiais, somaram cerca de cinco toneladas, no primeiro dia do Projeto Cata-trecos, lançado ontem pela Secretaria das Administrações Regionais (Sear) para a população retirar de seus quintais entulho que, além de tomar espaço, pode facilitar a proliferação de doenças como dengue e leishmaniose. Os sete caminhões que percorreram as ruas na área da Regional Independência fizeram 23 viagens.
Porém, nesta primeira etapa do Cata-trecos, nada foi reaproveitado. Todo material recolhido foi levado ao aterro sanitário. “Recolhemos muito entulho, pedaços de madeira... Nada que tivesse condições de uso”, conta Sílvio dos Santos Pereira, diretor da Regional Independência, que coordenou as equipes que percorreram as ruas da região das 8h às 16h30.
Para a aposentada Maria Olívia dos Santos, o caminhão chegou em boa hora. “Eu tinha cortado uma jabuticabeira velha e não sabia o que fazer com os galhos. Tinha também uns pedaços de madeira amontoados no quintal que precisavam mesmo dar fim!”, relata. Agora, com o quintal liberado, ela já planeja renovar o pomar. “Já tenho duas mudas de laranja para plantar no lugar”, conta ela que mora na Vila Ipiranga.
Apesar da divulgação feita pela imprensa e de os caminhões terem percorrido os bairros da área da Regional Independência, há quem não sabia da operação. “Teve esse caminhão recolhendo entulho? Eu não vi não. Se soubesse, teria pedido para retirarem um sofá velho que está no quintal há anos”, comenta Claudemir Roberto de Souza, que mora na Vila São Francisco.
Questionado sobre a possibilidade de reaproveitamento do material recolhido pelo Cata-trecos por pessoas que trabalham com reciclagem ou por quem precisa de móveis e aceita mesmo peças já bem usadas, Nélson Fio, titular da Sear, disse que está estudando o caso. “Ainda não sabemos como viabilizar isso: como selecionar o material e deixar à disposição de quem precisa. Mas como estamos estudando implantar o brechó da construção, um local que a população poderá levar sobras de cimento, pedra, azulejo, piso e telha para os carroceiros, podemos fazer o mesmo com os materiais do Cata-trecos”, comenta.
A proposta da Sear é desenvolver o projeto uma vez por mês, sempre na última terça-feira do mês em uma região da cidade. Sete caminhões percorrerão as ruas recolhendo o material. A próxima a receber o Cata-trecos será Regional Falcão/Vila Industrial, no dia 29 de novembro. As outras regionais serão atendidas nas últimas terças-feiras dos meses subseqüentes, na seguinte ordem: Regional Bela Vista, Parque Vista Alegre e São Geraldo, Mary Dota, Redentor/Geisel, Centro e Tibiriçá. Quando terminar, o rodízio será reiniciado. A população será avisada previamente.
• Serviço
Informações sobre o projeto Cata-trecos pelos telefones (14) 3235-1095 e 3235-1039, ou diretamente nas Regionais Administrativas.