Já publiquei, há certo tempo, um artigo para este jornal com o título Ciclo Vital de Bauru, no qual fiz considerações sobre a sujeira que se encontrava na avenida Getúlio Vargas, no sábado e domingo de manhã, resultado da permanência, ali, na noite anterior, de alguns excelentes jovens de Bauru.
Vejo, com alegres olhos, que aquela avenida, agora, está bem melhor, para aqueles que se utilizam da calçada para os passeios e caminhadas. Como na história não há coincidências e sim conseqüências, deve ser pela preocupação da prefeitura que estabeleceu proibição de permanência ali na madrugada dos finais de finais de semana, bem como instalou ali recipientes de lixo. Pena que certas árvores ali plantadas continuem a ser destruídas Mas, enfim, está melhor.
Vejo, porém, que a rua Ignácio Alexandre Nasralla, cruzamento da Getúlio, no trecho do aeroporto, parece ser um excelente lugar para o despejo de detritos em sacos de plástico e até entulhos, dando uma visão de abandono e total desconsideração pelo ambiente, pela cidade. Seriam interessante perguntar quem abusa do direito da liberdade permitida pela democracia, isto é, quem seria o responsável pela obra tão desprezível. Seriam, por exemplo, as lojas da redondeza? Por certo, não. Elas têm seriedade. Seriam, por exemplo, certas pessoas muito cômodas ou sem educação que preferem colocar o lixo no carro e evacuar ali na rua? Difícil saber. Seriam as pessoas dos bairros bem distantes, que, depois de adquirem num supermercado os sacos de lixo pretos e enchê-los, descem dos ônibus e jogam ali os dejetos? Muito difícil. Mas posso, para efeito de argumento, refletir sobre esse problema e estender um pouco o conceito de falta de educação e chegar a algumas conclusões.
Todos os cidadãos devem estar aborrecidos, zangados, execrando certos políticos (notem bem, certos políticos) que se aproveitaram e que se aproveitam do mandato conseguido pelos nossos votos, para “tirar as casquinhas” ou “casconas”, no estilo “esperrrrtinho”. Corruptos!
Vejo, porém, que muitos dos que criticam, aliás, com muita razão, os políticos inescrupulosos, mal-educados, corruptos, também têm seus momentos de má-educação, espertalhice...
Vejam, por exemplo, aqueles “cidadãos” que não respeitam o limite de velocidade, são multados e ainda contam com advogados também mal-formados e mal informados e ansiosos pelas suas “casquinhas” oferecem seus serviços por aí. E juntem a esses “cidadãos” os que não respeitam as faixas de segurança do pedestre, as faixas de estacionamento em bancos, supermercados, os que, por medida de economia entram na contramão, por exemplo.
É... Na verdade, quer queiramos ou não, aqueles políticos - os representantes, as vozes do povo, são o reflexo de seus eleitores. Que as pessoas lá do lixo da rua Ignácio Alexandre Nasralla, que os desrespeitadores do trânsito, que aqueles que furam filas, que aqueles que ocupam duas ou mais faixas de estacionamentos, que os “levadores de vantagem” mudem para melhor. E aí, creio, determinados indivíduos, que se dizem representantes da classe política, transformar-se-ão também, em verdadeiras vozes do povo.
O autor, João Batista Neto Chamadoira, é professor - e-mail:jobachama@uol.com.br