A Roche, fabricante do Tamiflu, confirma a grande procura pelo medicamento. Por ano, eram vendidas quatro mil caixas do remédio no País. Mas só em outubro, a mesma quantidade foi comercializada em solo nacional e os pedidos não param de chegar. No entanto, o estoque do produto continuará limitado em algumas regiões onde haja menor risco de epidemias.
De acordo com a assessoria de imprensa da farmacêutica, a prioridade neste momento é garantir o medicamento nos países com surtos de influenza e atender as encomendas governamentais para planos de pandemia. Atualmente, mais de 40 países já fizeram pedidos de Tamiflu (oseltamivir), cuja produção aumentará de 8 a 10 vezes até meados de 2006.
“Os antivirais são apenas uma das medidas dos planos de gerenciamento de pandemia, que incluem ainda medidas de prevenção e educação. O medicamento deve ser adquirido com prescrição médica”, diz nota enviada à reportagem pela assessoria de imprensa do laboratório.
Segundo a empresa, o Tamiflu é indicado contra todos os vírus de gripe. Ele bloqueia a ação de enzima na superfície do vírus, que não consegue se espalhar e infectar outras células no corpo. A ação dele, diz a Roche, minimiza os efeitos da doença e previne complicações que possam levar à morte.
Os primeiros casos de gripe aviária foram detectados em 1997, em Hong Kong. Seis das 18 pessoas que contraíram a doença morreram naquele ano. As autoridades sanitárias tentaram conter o vírus dizimando todas as aves do país, cerca de 1,5 milhão de animais. Mas a doença reapareceu nos últimos dois anos, novamente no Sudeste Asiático.
A alta letalidade, de cerca de 50 a 60%, preocupa por ser muito similar com ao índice alcançado pela Gripe Espanhola. A doença, que se alastrou rapidamente pelos continentes em 1918 matou cerca de 40 milhões de pessoas, inclusive brasileiros, informa a assessoria de imprensa da Roche.