A rotina na quadra 6 da avenida Aureliano Cardia e vizinhança mudou devido ao incêndio, anteontem à noite, que destruiu uma fábrica de colchões. Além do imóvel onde a indústria funcionava, um prédio de apartamentos de dois andares localizado na rua Piauí, fundos da indústria, foi interditado pela Defesa Civil. Os cerca de 50 moradores, que durante o fogo haviam evacuado o imóvel por precaução, não puderam retornar para suas casas.
O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, explica que tanto a fábrica quanto o prédio permanecerão lacrados até os resultados da análise da perícia técnica previstos para estarem prontos na segunda-feira. “Os moradores tiveram que deixar suas residências e procurar abrigo provisório com parentes e amigos até que a análise da estrutura do prédio seja concluída”, reforça Brito.
O telhado do prédio da fábrica e todo o material que estava dentro do imóvel - colchões e espuma - foi queimado. A perícia analisa se a estrutura pode estar comprometida de forma definitiva. “O impacto de calor na estrutura do prédio foi muito grande. O calor do incêndio ultrapassou os 700 graus”, afirma Brito.
Já o prédio residencial, que fica na quadra 3 da rua Piauí, teve uma vidraça de aproximadamente seis metros de altura destruída e algumas portas danificadas para que bombeiros retirassem botijões de gás e objetos inflamáveis dos apartamentos que estavam trancados. “Aparentemente, o prédio precisará apenas de pequenas reformas, mas a interdição é necessária para preservar a integridade física das pessoas”, diz Brito.
De acordo com o proprietário do prédio, Antônio Tonon, os mais de 50 moradores que habitam os 24 apartamentos foram para a casa de parentes ou amigos. “Uma das inquilinas passou a noite em minha casa, pois não tinha parentes na cidade”, conta.
A aposentada Anna Grassi, moradora do último apartamento, encostado à fábrica, disse que estava na casa de uma vizinha no momento do início do fogo e que tomou conhecimento dos fatos quando um outro vizinho apareceu gritando para que pegassem seus pertences e saíssem do local, pois havia um “incêndio enorme”. “Fui até o meu apartamento e, junto com minha filha e meu genro, retiramos tudo o que pudemos. Roupas, colchões, geladeira...”, narra.
Ela explicou ainda que ontem pela manhã bombeiros permitiram que os moradores retirassem seus últimos pertences para, então, lacrar o prédio. “Agora ninguém mais entra lá até a conclusão da perícia”, afirma.
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Prejuízo
A sócia-proprietária da fábrica de colchões queimada, Eliane de Souza Delfino, não soube estimar o valor do prejuízo com o incêndio. Informações extra-oficiais dão conta de que no prédio havia grande quantidade de espuma usada na fabricação dos colchões e outros materiais inflamáveis, como botijões de gás industriais.
Até ontem à tarde, nem os bombeiros nem a Defesa Civil sabiam como o fogo começou. A Polícia Técnica fez vistoria no local para tentar identificar a causa do incêndio. Delfino explicou que aguarda o laudo técnico para tomar as providencias com relação ao prédio da fábrica, que teve cerca de 70% dos 726 metros quadrados destruídos, segundo os bombeiros.
O telhado de boa parte do imóvel desabou e ontem o que se via no interior eram apenas as paredes chamuscadas e as vigas de metal. A maiorias dos destroços do incêndio foi retirada ontem pela manhã.
Delfino informou que a seguradora da empresa já foi acionada e analisa o caso. “A fábrica provavelmente será reativada em outra localidade”, explica. Antes do incêndio, a empresa já planejava transferir-se para um terreno no Distrito Industrial 3, em Bauru.
O imóvel onde a fábrica funcionava era alugado. O JC tentou, mas não conseguiu contatar o proprietário do prédio. A fábrica de colchões mantinha cerca de 30 funcionários diretos, que estão dispensados até a empresa reativar as atividades.