Apesar da coleta de lixo atender a todas as casas de Bauru, muitas pessoas ainda jogam seus detritos em terrenos pela cidade. Além do lixo doméstico, o entulho acumulado nas áreas também gera reclamações e revela a falta de conscientização que muita gente insiste em demonstrar.
A reclamação partiu do motorista Sérgio Martinez, morador da rua Tamandaré, que há anos sofre com o acúmulo de entulho em frente a sua residência. Martinez, que já tentou em todas as instâncias resolver de vez o problema, diz que a falta de conscientização da população ainda é o maior obstáculo.
“Não importa o quanto você peça, sempre vai ter alguém jogando lixo aqui”. E o problema que começou com caminhões e carroceiros despejando a sujeira, hoje é praticado por muitos. “Se a pessoa vê que ali já tem entulho, ela volta e traz o seu”, lamenta o motorista, que chegou a pintar placas alertando sobre a proibição de jogar lixo no terreno.
Cansado de não ter o seu problema resolvido, o próprio morador se encarregou de limpar a sujeira. Na tarde da terça-feira, contratou um serviço de trator e limpou o terreno. “Pelo menos agora, quando abro a porta de casa não dou de cara com aquela montanha de lixo”, explica.
Martinez ainda fez toda a calçada do terreno e plantou algumas mudas de árvores e flores no local. Para o motorista, os donos do terreno, apesar de serem os responsáveis, não são os verdadeiros culpados. “Aqueles que vêm e jogam lixo aqui são os culpados”, afirma.
Além de entulho e do lixo, que chega a incluir até carcaças de animais, o problema do terreno inclui uma vala que de acordo com Martinez, seria destinada à construção de uma galeria para as águas da chuva. “A prefeitura me informou que não existe verba para isso e o buraco continua”.
No cruzamento das avenidas Moussa Tobias e Nações Unidas, o acúmulo de lixo é notório. Como não existe casas nos arredores, a sujeira fica ainda mais evidente. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), por meio do seu Departamento de Limpeza Pública, avisa que a coleta do resíduo domiciliar é realizada em 100% da cidade, mas a empresa não é responsável por recolher todo o volume que é despejado nos terrenos baldios.
Cabe à Secretaria Municipal de Planejamento fazer a fiscalização dos entulhos dos terrenos baldios e multar os proprietários que não mantêm limpas as áreas.
Roberto Rossi, diretor do Departamento de Uso e Ocupação do Solo, afirma que a secretaria está se empenhando na conscientização da população. “Os fiscais estão trabalhando para coibir os carroceiros ou munícipes que jogam entulhos em terrenos baldios”, diz.
Segundo o diretor, havendo reclamação, e se for constatada a irregularidade, o autor é notificado e posteriormente, autuado. “Quanto aos terrenos baldios que acumulam sujeira, os proprietários desses lotes estão sendo notificados para fazer a limpeza. O não-cumprimento da notificação a transforma em auto de infração”, explica.
O secretário municipal do Planejamento, Izidoro Schafranski Neto reconhece o problema da falta de conscientização. “O lixo em terreno baldio é um problema de educação, pois o dono do terreno deve ser responsável pela limpeza do mato e não pelo lixo jogado na propriedade”, observa.
“Os bichos e insetos aparecem por causa do lixo. A população precisa se conscientizar que não pode jogar o lixo em terreno baldio”, reafirma.