11 de julho de 2026
Nacional

Polícia Civil do PR prende supostos responsáveis por atitudes racistas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Curitiba - A Polícia Civil do Paraná prendeu ontem, em Curitiba, sete pessoas sob suspeita de liderarem um grupo de skinheads que panfletou a cidade contra negros e homossexuais, no mês passado.

A polícia também os aponta como responsáveis pela tentativa de homicídio de um homossexual, no mesmo período. Quatro adolescentes que fariam parte do grupo foram apreendidos e encaminhados para a delegacia especializada. O professor de jiu-jitsu Eduardo Toniolo Del Segue, conhecido por Brasil, 25 anos, e Edwiges Francis Barroso - que adota o nome de Franciele Del Segue, ou apenas Fran -, 26 anos, são apontados pelo delegado Marcus Vinicius Michelotto como os líderes dos ativistas do neonazismo em Curitiba.

“Os dois foram reconhecidos por um homossexual como seus agressores. Garotos que deixaram o grupo também identificam os dois como pessoas violentas. Fran deu entrevista, disse que é ex-skinhead e negou ser violenta. Além dela e do marido, foram presas mais duas mulheres: a estudante de letras Estela Herman Heise, 20 anos, e Fernanda Keli Sens, 24 anos.

Os demais são Bruno Paese Fader, 20 anos - namorado de Heise -, André Lipnharski, 25 anos, e Drahomiro Michel, 28 anos. Há ordem judicial para a prisão temporária dos sete, mas Michelotto diz ter esperança de obter a preventiva, que prolongaria as prisões de cinco dias para mais de um mês. Eles vão responder a inquéritos por tentativa de homicídio, apologia ao nazismo e formação de quadrilha, segundo o delegado.

Nas buscas, que começaram às 7h de ontem, os policiais encontraram nas casas visitadas material literário de apologia nazista, bandeiras, desenhos de Adolf Hitler, cassetetes, punhais, e peças do uniforme de soldados alemães na Segunda Guerra Mundial.

A polícia recolheu ainda, como provas, dezenas de fotos em que o grupo aparece fazendo poses em frente à bandeira nazista ou saudando Hitler, no gesto do braço estendido à frente do corpo.

Policiais disseram que a maioria do grupo tem tatuagens no corpo com os símbolos nazistas. Fran teria tatuadas nas costas as palavras “Orgulho Branco”. Essa foi a assinatura dos adesivos colados em equipamentos públicos no mês passado, que traziam a mensagem “Mistura racial? Não, obrigado”.

Os adesivos contra gays levavam a assinatura “Frente anti-caos”. Um dos adolescentes de 17 anos detido disse que fazia parte desse grupo, mas que o abandonou em maio. Michelotto entregou à reportagem a cópia de um prontuário policial em que o casal Del Segue e um terceiro homem, que não foi preso, aparecem como autores de oito agressões por grupos supostamente racistas, entre 2000 e 2002. O delegado esperava prender mais três pessoas que comporiam o grupo que agrediu e esfaqueou o homossexual.