Em 2003, Atá Catalan levou o primeiro grupo de pescadores de fly ao Xingu. Lá eles tiverama a oportunidade de experimentar a pesca com mosca em um ambiente diferente. Em 2005, o grupo de pescadores com moscas cresceu e acrescentou informações mais específicas sobre as iscas necessárias para a região.
A pesca com moscas agrada um número crescente de pescadores, por sua leveza, técnica e pelo desafio da modalidade. Segundo os “flyzeiros”, é uma pescaria que exige muito treinamento, pois o arremesso depende do peso da linha o peso da isca é pequeno.
A médica Liliam Lurico Sano, 50 anos, representa o olhar feminino do grupo de fly e esteve pela segunda vez pescando nas águas dos rios Sete de Setembro e Xingu. Ela também gosta de produzir suas próprias iscas, que servem de presente aos amigos, durante a confraternização no Rancho Xingu.
“Eu me interessei pelo fly, mas era muito desastrada, fiz cursos e, hoje é a pesca que mais faço, por isso, acho importante ter um equipamento de qualidade. Tenho quatro conjuntos de fly, mas tenho dificuldade com os mais pesados, por isso uso até o número 5.”
Assim como Liliam, seu companheiro de pesca, Adalberto Francisco de Oliveira Filho, ficou satisfeito com a pescaria. “A viagem ao Xingu é o meu momento de lazer, as minhas férias. Quando não penso em trabalho, meu único objetivo é a integração com o ambiente e com os amigos. A convivência é o ponto alto”, ressalta o pescador.
Nascido em São Manuel, o pescador Antônio Carlos Dorico é um amante da natureza e pesca com moscas há alguns anos. A convite do Tupiniquim Brazilian Fly Tyer Tean (TBFTT), Dorico, que é mais habituado à pesca na região amazônica, onde os tucunarés gigantes prevalecem, sentiu-se bastante à vontade e fez uma pescaria produtiva. “Hospedagem muito boa, piloteiros atenciosos, mas para mim a pesca é coadjuvante, o que eu gosto mesmo é de passear, sentir a natureza. Quando pego um peixe no fly a viagem fica ainda mais agradável”, acrescenta.
Outra dupla que esteve no Xingu a convite do Betinho é formada pelos pescadores Márcio Henrique Dias, 46 anos, e Rogério Gentil, o Loirinho. Dias é médico e pesca há 35 anos, mas quando conheceu o fly, quatro anos atrás, mudou todo seu estilo de pesca. “Vendi todo o meu equipamento de isca viva e de artificial e só estou no fly. Viemos preparados para a situação, só que é mais difícil no fly. O tucunaré daqui é mais difícil de atacar o fly, diferente de Presidente Epitácio, onde costumo ir”, compara o pescador.
Dias avalia que a grandiosidade do Xingu oferece muito espaço para os peixes. “No Xingu tem outra vantagem, não tem vento, raramente, mas é uma situação que já estou acostumado.” Loirinho gosta de pescar e prefere fazer suas próprias iscas. “Eu gosto de atar, assim você tem a possibilidade de fazer uma isca diferente, tentar ser mais próximo do que o peixe quer.”